sábado, 23 de abril de 2011
Às suas espadas meu Pai!!!
Todos os dias e especialmente hoje me apresento como seu filho, pronto para fazer parte do seu exército. Todas as batalhas serão vencidas, todos os sofrimentos serão superados.
Agradeço ao Senhor com meu suor, com meu sangue, com minha alma e me coloco à disposição da Lei e da Ordem. Aceito com resignação e trabalho o que necessário para minha evolução. No seu reino não há espaço para lamentações, não há espaço para lamúrias, injúrias, preguiça, vitimismo ou vaidade. Assim também será minha passagem neste plano terreno, campo de suas batalhas.
Faça de mim seu instrumento.
À suas ordens meu pai!!!
OBRIGADO MEU PAI!!!
Agradeço a Ogum por me conduzir no lugar que me encontro hoje. Tenho o privilégio de estar numa Casa Santa com um Ogum encarnado!!!!
Axé a todos,
Meu Sagrado Pai Ogum, chegou seu dia; dia este de demonstrarmos nossa fé no Senhor com toda nossa convicção; fé ativa, certeza de que tudo o que o senhor nos dá é somente para o nosso bem e evolução!
Como é maravilhoso ser filha de Ogum! É sentir no peito uma força, uma coragem que sabemos que só pode vir de um Pai cheio de amor e dedicação por nós.
Obrigada meu Pai, mesmo passando momentos difíceis, EU SEI QUE O SENHOR ESTÁ AO MEU LADO, ME ENCORAJANDO E ME FORTALECENDO!
Que eu possa ser digno, um dia, de ser chamada de umbandista na acepção completa .
Obrigada Mãe Suelena por zelar tanto por mim e proporcionar essa experiencia enriquecedora!
Desejo a todos muito OGUM em suas vidas!
PATACORY MEU PAI OGUM!!!!!
Dia 23 de Abril. Chegou o dia, o dia máximo de nossa festa !
Penso na importância desse dia para a Umbanda, dia em que a vibração máxima da ação, da força, da coragem, da Verdade Suprema está ativamente em ronda.
Dia em que os “sentidos” dos umbandistas afloram, afinal é Dia de Ogum !!!
Como passar por esse dia sem falar sobre a importância da ação dos médiuns umbandistas?
Como aceitar umbandista sem ação, fechados dentro de seus mundos deixando de lado o trabalho, o compartilhar, a ação em prol do próximo?
Sei que a vida dá voltas e, são exatamente nessas voltas em que a vida dá que temos que ser retos, convictos em nossos propósitos, principalmente de fé.
Fé, que além do seu sentido harmonizador, é impulsionadora, e é por esse impulso que agimos e realizamos. Portanto quando temos fé, temos Ogum manifestado em nossos corações.
Claro que muitas pessoas dizem que têm fé mas, dizer só, não é um ato de fé.
Fé é vibrante, Fé é ação reta, é agir ativo!
Fé é trabalho e todo trabalho só é produtivo se tiver ordem, portanto fé é ação, é caminho, é retidão, é trabalho, é ordem, ou seja, FÉ é OGUM !
Ogum não é falar, é sentir e agir!
Ogum não é querer, é trabalhar para conquistar!
Ogum não é tristeza, é certeza verdadeira!
Ogum não é pensar, é ser, estar, agir, pleno em tudo e por todos!
Ogum não é silêncio, não é passivo, é ativo com consciência!
Ogum é provocativo! É pensar na frente, é ser a causa e é estar na frente!
Não dá para no dia de hoje não refletirmos sobre nossa condição espiritual, mediúnica e principalmente umbandista. A Umbanda, a espiritualidade, o espírito, precisam de ação, não sobrevivem na passividade, sem que trabalhem ou que haja benefício do próximo.
A Umbanda, a espiritualidade, o espírito, não são poupança, não devem ficar guardados. Devem ser compartilhados!
Hoje é dia de vermos Ogum, de sentirmos Ogum, de nos dedicarmos à Ogum!
Como pensar em pouco quando falamos em Ogum!
Hoje é dia de falar com Ogum!
É dia de verdadeiramente nos posicionarmos diante dele como soldados: agindo em sentido de alerta, praticando a Umbanda na sua essência, em posição, estufando o peito, olhando reto e confirmando nossa verdadeira fé !
Ser Umbandista
É ter o privilégio de sentir OGUM
com toda sua força e determinação;
É ter o privilégio de ouvir OGUM e
aprender com sua estratégia e coragem;
Ser Umbandista
É ter o privilégio de segurar a espada,
o escudo e a lança de OGUM
com toda sua convicção e proteção;
É ter o privilégio de girar em OGUM com sua reverência e valentia;
Ser Umbandista
É ter coragem e proteção;
É ter convicção e determinação;
É ter a Glória e a Salvação à sua disposição;
Ser Umbandista para mim,
É ter Ogum cravado no coração e manifestado diariamente, com toda sua excelência!
Patakori Ogum!!!
sexta-feira, 22 de abril de 2011
As Lendas dos Orixás.
As Lendas de Aruanda.
Conto 01 – Os Orixás Viajaram em Tumbeiros
Saravá, meu pai, confio em Deus! Saravá é uma saudação nos terreiros de cultos afro-brasileiros, que tem o significado de “salve”. Corruptela da palavra portuguesa “salvar”, cujos escravos tinham dificuldade de pronunciar, e diziam “salavar”. Sob a influência da fonologia banta, passou a se falar “saravá”, para desespero e raiva dos puristas gramaticais, que acham que a nossa Língua tem que ser a mesma que veio nas caravelas de Pedro Álvares Cabral e seus sucessores, não importando a dimensão continental do Brasil nem a origem dos seus povoadores. Saravá!
Apesar de ser Oxalá o criador da humanidade, não é ele o Ser Supremo de Aruanda. Isso compete a Olorum, o deus-Uno, o Criador do Plano Astral e dos orixás, que um dia foram gente influente e poderosa aqui na terra e se tornaram entidades divinizadas quando desencarnaram, servindo de ponte que liga os humanos a Olorum, ou Olodumaré (Olorum para os nagôs; Zambi ou Obatalá para os bantus), com suas paixões e defeitos, cuja origem remota a mais de cinco mil anos.
Aruanda é um dos nomes do plano astral superior, o Paraíso dos católicos, os Campos Elíseos dos gregos. A Roma iorubaiana fica em Ifé, cidade a sudoeste da Nigéria, hoje com uma população de 152 mil habitantes. O Latim de seus cultos se chama Iorubá, que teve sua origem na Nigéria Ocidental e se espalhou pelo mundo nos navios negreiros, sendo que os iorubaianos, trazidos em larga escala para o Brasil, aqui chegando, receberam o nome de nagô e exerceram forte influência social e religiosa sobre outros grupos igualmente escravizados, principalmente na Bahia, com exceção dos malês, negros da África muçulmana, praticantes do Islã.
O sincretismo religioso que se propaga aos quatro ventos como fato consumado entre o catolicismo e a afro-religião, mais propriamente ao Candomblé, não é, de fato, a fusão filosófica das duas religiões em uma só, conforme acepção da palavra. Nem mesmo há uma fusão parcial. Os negros, proibidos de cultuar seus deuses nas senzalas ou nos morros, fingiam homenagear os santos católicos nas suas festas e batuques e assim eram tolerados pelos brancos e deixados em paz pela polícia. Nas festas ditas sincréticas, o que há é um paralelismo dogmático entre os católicos, que cultuam seus santos em suas igrejas ou comunidades, e os seguidores da afro-religião, que reverenciam suas deidades em seus batuques, não havendo nenhuma síntese doutrinária ou junção filosófica entre essas religiões. Cada uma segue o seu rito distinto, sem consagração sacramental nos terreiros, nem toque de atabaques nas eucaristias.
Epa baba! Saravá, meu rei!
Sexta-feira é dia de Oxalá, o criador da humanidade, e os seus filhos devem vestir branco.
Oxalá tem vários nomes, entre eles, Oxalufan, que é Oxalá velho, Oxaguian, quando está guerreando, Orixanlá pra qualquer coisa, e Obatalá, quando assume sua condição de Rei Branco e leva semanas para tomar uma decisão importante, ponderando os prós e os contra, com lenta meticulosidade. No sincretismo baiano, ele é o Senhor do Bonfim, a maior divindade dos baianos, e talvez seja por causa de Obatalá que os conterrâneos do ministro Gilberto Gil levam semanas para morrer de morte súbita. Nos outros cantos do Brasil ele é Jesus Cristo.
Faz parte do seu traje de cerimonial: seu cajado de prata ou de metal prateado, ornado de arandelas sobrepostas, encimado por um pássaro ou coroa, chamado de opaxorô, ou paxorô.
Conto 02 - O Rei e o Pássaro Comedor de Inhame
Okê Arô!
Okê Oxossi!
No reino de Ifé, no sudoeste da Nigéria, todos os anos se comemorava a festa dos inhames e ninguém podia usufruir a nova colheita enquanto não acabasse a farra. O rei Odudua, nesse dia, fazia questão de desfilar com suas mulheres e ministros, distribuindo simpatia no meio do povo. A festa corria bem, com os ifelenses comendo inhame de manhã, de tarde e de noite, bebendo vinho de palma, porém as feiticeiras Iyá-mi, donas dos terríveis pássaros noturnos, chateadas porque não foram convidadas para a festa, resolveram acabar com o festival inhamal e enviaram para Ifé uma ave gigantesca e aterradora, que pousou na torre do palácio, promovendo a maior tragédia de que se teve notícia na Nigéria. Chamaram o destemido Oxó Togum, o caçador de vinte flechas, para matar o pássaro; errou todas, escapou de ser devorado pelo pássaro, mas foi direto para o calabouço e durante muitos anos viu o sol nascer quadrado. Chamaram então Oxó Togi, o caçador de quarenta flechas, mas não conseguiu acertar o temível pássaro e teve o mesmo destino de Oxó Togum; trouxeram Oxó Todotá, o caçador de cinqüenta flechas, que tremeu nas bases e teve o mesmo fim dos seus colegas caçadores. O rei, desesperado, não viu mais nenhum caçador famoso para chamar. Então o mensageiro da corte se lembrou de Oxó Tocanxoxô, o caçador pobre, que só tinha uma flecha. Rei e súditos riram amarelados, incrédulos. Mas era a última esperança do rei Odudua. Oxó Tocanxoxô desafiou:
— Que me cortem aos pedaços se eu não matar esse comedor de inhame gigante!
Oxó Tocanxoxô era filho único e a sua mãe não queria perdê-lo assim, sem mais nem menos. Se não matasse o pássaro, seria esquartejado. Consultou um feiticeiro famoso, que a aconselhou a fazer uma oferenda, única maneira de seu filho se salvar e se tornar rico. Ela cumpriu fielmente o ritual: em uma encruzilhada, ofereceu uma galinha com o peito aberto às Iyá-mi e gritou “que o peito do pássaro receba esta oferenda!”. O pássaro, enjoado de comer inhame, ao receber a oferenda, abriu as asas e disse “oba!”, vacilando e desguarnecendo o peito. O caçador de uma flecha só aproveitou a oportunidade para acertar o seu coração. Foi tiro e queda. Digo, foi flecha e queda. E o povo feliz, liberto do terror, ovacionou seu herói, gritando “Oxó Ussi!, Oxó Ussi”, que, com o passar do tempo, foi simplificado para Oxossi, traduzindo para o Português, significa “Guardião do povo”.
E assim os ifelenses continuaram a festa, dessa vez, comendo inhame com carne do pássaro abatido e, em agradecimento, fizeram do caçador Oxó Tocanxô, o rei de Ketu.
Oxossi é o orixá da vida. Para ele não importa o quanto se viva, desde que se viva intensamente. Seu fetiche é um arco e flecha, uma frigideira de barro e uma pedra. Suas cores são o verde, o azul e o vermelho vivo e as filhas de santo devem vestir verde e amarelo com pulseira de bronze. Seu dia é a quinta-feira e sua festa anual é no dia de Corpus Christi. No sincretismo religioso, ele é identificado como São Jorge, na Bahia e Pernambuco e São Sebastião, no Rio de Janeiro.
Conto 03 - Um deus suicida
Oguniê!
Ogum é filho de Iemanjá com Odudua. Desde pequeno que era destemido e viril, tornando-se um guerreiro bravo e conquistador, tomando para si tudo o que desejava, das mulheres ao poder.
Ogum guerreou e conquistou a cidade de Irê, tornando-se seu rei. Expandiu seu território pelas cidades vizinhas e se transformou em senhor absoluto. Nos intervalos das guerras, criou os metais e a forja, se tornando num exímio ferreiro, fabricando, além de lanças e espadas, ferramentas úteis no campo para o plantio.
Um dia saiu a guerrear pelo mundo com seu irmão mais velho, Exu, e coroou o seu filho rei de Irê. Os moradores, em sua homenagem, fizeram voto de silêncio e de jejum que deveria ser aplicado em determinadas ocasiões.
Ogum, em sua sede de guerra, deu a volta ao mundo e nem percebeu que havia retornado ao seu reinado, Irê. Coincidiu ser o dia do voto de fome e de silêncio e Ogum não sabia disso. Faminto, sedento, queria ser servido, porém esbarrou na falta de comida e na mudez dos habitantes. Achando que era um desrespeito a ele, desembainhou a espada e cortou a cabeça de quase metade da população, incendiou as casas e quebrou tudo que encontrou pela frente. No meio da fúria, reconheceu o filho que lhe levava água e comida.
Satisfeito o apetite, o seu filho lhe falou que, em sua honra, ninguém deveria falar naquele dia. Ogum lamentou o acontecido, arrependido, disse que já vivera o bastante. Ato contínuo, cravou a espada no chão e foi tragado pela terra, fazendo um ruído medonho.
Ao abrir picadas na mata, Ogum abriu caminhos para o progresso. Está associado à luta, conquista e tecnologia e, no sincretismo, corresponde a São Jorge e o seu dia é comemorado em 23 de abril.
O dia da semana é terça-feira e os seus filhos devem vestir vermelho, azul e verde.
Conto 04 – Eram os Orixás Adúlteros?
Kawo kabiesilé, Xangô!
Eparrê, Iansã!
Quarta-feira, é o dia de Xangô e de uma de suas três esposas, Iansã, conhecida também como Oyá. Seus filhos devem vestir vermelho e branco para Xangô, ou grená e marrom para Iansã.
Xangô é o orixá símbolo da Justiça, um mulherengo inveterado e bom orador. Perseguidor implacável dos malfeitores, dizem que cospe fogo tal qual os dragões em seus momentos de fúria. No sincretismo com os santos católicos, corresponde a São Jerônimo.
Iansã é a divindade dos ventos, dos raios e das tempestades. A Santa Bárbara dos católicos. Foi a primeira esposa de Xangô e ex-esposa de Ogum, o ferreiro, este, filho de Yemanjá com Oxalá.
Diz a lenda que Oyá era companheira de Ogum e lhe auxiliava na sua metalúrgica, trabalhando como ajudante de ferreiro, ora atiçando o fole, ora carregando as ferramentas. Ogum, grato à companheira por lhe ajudar sem cobrar salário nem torrar a sua paciência, lhe presenteou com uma lança igual a sua, que tinha o poder de dividir o homem em sete. Tão apaixonado estava, que a lança de Oyá ganhou poderes de se dividir em nove durante um combate, caso fosse tocada pela arma do adversário.
Um dia Xangô apareceu jogando olhares lascivos para Oyá, uma bela morena de cabelos anelados e olhos tentadores. Xangô era um orixá vigoroso, seguro de si, usando brincos e pulseiras, além de belos anéis nos dedos. Oyá sentiu os olhares penetrantes de Xangô abalar seus alicerces sentimentais, não resistiu, e fugiu com ele para a floresta. Ogum, ferido em seus brios de macho, pediu permissão a Olorum para duelar com sua ex-amante. Queria vingar a honra ferida.
Permissão concedida, partiu Ogum atrás de Oyá e travaram um longo, violento e inesquecível duelo, e chegou uma hora que os dois se tocaram com suas armas, mutuamente. Ogum se dividiu em sete e Oyá em nove, se transformando em Iansã, que quer dizer, mãe dividida em nove, ou nove mães. Em desvantagem numérica, Ogum desistiu da luta e foi para o mar esfriar a cabeça. Xangô e Iansã pegaram um avião e foram passar a lua-de-mel em Aruanda, e viveram felizes até o dia em que apareceram duas pretendentes ao amor de Xangô: uma, outra ex-mulher de Ogum, uma guerreira de nome Obá; a outra, a mais bela das belas deidades, Oxum, a orixá da fertilidade.
Xangô, além de mulherengo, era um comilão e adorava pratos suculentos e variados. As duas pretendentes travaram um duelo ao pé do fogão, cada uma com sua culinária requintada, procurando fisgar o coração de Xangô pela boca.
Um dia Oxum preparava um prato para o seu amado com um véu cobrindo-lhe as orelhas, quando se aproximou Obá; curiosa, quis saber o que a rival estava cozinhando.
– Estou fazendo ensopado de minhas orelhas, pois descobri que Xangô adora uma orelha ensopada – disse a dengosa e inteligente orixá.
Obá ficou de botuca e viu quando Xangô chegou, se aboletou e devorou a comida com tremendo gosto e satisfação, lambendo os lábios, os dedos e repetindo o prato mais seis vezes. A semana seguinte seria a sua vez de servir o almoço para Xangô e não contou conversa: passou o facão em uma orelha sua e serviu ao molho pardo ao orixá da Guerra e da Justiça, o Guerreiro Supremo. Este, sentindo o gosto de cera de ouvido, quando soube do que se tratava, deu um urro, se levantou furioso, meteu o pé na mesa, chutou o prato longe e ainda deu uns catiripapos na orixá guerreira. Sem entender patavina de nada, Obá foi ter com Oxum e saber o que tinha saído errado. Chegando lá, caiu em si e tomou consciência de que havia sido vítima de uma sórdida armadilha, preparada pela debochada rival. Travaram o maior quebra-pau em Aruanda, com as duas se unhando e se descabelando, e Obá querendo arrancar a orelha de Oxum a dentadas, até que um vizinho correu para avisar a Xangô e o mesmo apareceu para pôr ordem na casa, distribuindo bofetões a torto e a direito, ameaçando soltar fogo pelas ventas. Dizem que as duas, com medo da fúria de Xangô, fugiram para a floresta e se transformaram em rios.
É por causa da vergonha da orelha decepada que Obá se manifesta nos humanos cobrindo as orelhas.
Conto 05 – A Sereia, o Caçador e o Sapo
Odoyá!
Iemanjá, ou Janaína, era filha de Olokun, a deusa do mar. Casou-se com Olófim Odudua e teve dez filhos, os quais gostavam muito de mamar e esticaram imensamente os seios da mãe. Como não havia cirurgia plástica naquela época nem prótese de silicone, Iemanjá, vaidosa que ela só, sentia grande vergonha de aparecer de biquíni na praia de Ifé. Um dia, cansada dos cochichos e risinhos debochados das siliconadas do reino, resolveu fugir para bem longe, rumo oeste, indo parar no reinado de Okerê, a cidade de Xaki. Como até os deuses sentem amor à primeira vista, Iemanjá e Okerê juntaram as escovas de dente, porém Iemanjá impôs uma condição ao seu amado: que ele nunca falasse de seus enormes seios. E viveram felizes para sempre até o dia em que Okerê encheu a cara de cachaça e esqueceu o prometido, passando a dizer gracinhas a respeito da protuberância das tetas de Iemanjá. Magoada e ofendida, a peituda saiu correndo mundo afora, levando um pote de porção mágica que sua mãe lhe dera para ser usado em caso de necessidade. Durante a fuga, Iemanjá tropeçou, foi ao chão, quebrando o pote da porção mágica, que a transformou em um caudaloso rio, correndo para o mar. Okerê, ciente da besteira que tinha feito pois não se pode brincar com a vaidade feminina, se transformou em uma montanha para represar as águas do mais novo rio do seu reinado. Iemanjá pediu ajuda ao seu filho Xangô, o mal-humorado, e este partiu a montanha ao meio, com um raio de não sei quantos megatons, seguindo o rio o seu curso normal, alcançando o mar, e Iemanjá se transformando na rainha das águas, para júbilo e deleite da vaidade feminina.
Se alguém quiser convidá-la para uma farra, tem que ser regada a champanhe, de preferência francesa, pois é a mais chique das divindades, não aceitando oferenda de um-nove-nove ou presente importado do Paraguai.
Seus filhos, predominantemente de mulheres, devem vestir branco e prata, aos sábados. Sua festa anual é no dia 2 de fevereiro. O santo correspondente no sincretismo é Nossa Senhora e algumas de suas denominações.
Ewê, ewê ô!
Ossaim é o orixá das folhas e das liturgias, detentor dos segredos medicinais e conhecedor das palavras que despertam o axé (força, poder) das folhas e por isso é o primeiro orixá consagrado nos rituais do candomblé, pois as folhas estão diretamente relacionadas com o cotidiano dos seguidores da afro-religião e, por causa disso, sem Ossaim e sua cura por meio das folhas, não há axé nos candomblés nem batuques nos terreiros gaúchos.
Filho caçula de Iemanjá e Oxalá, nascido na região de Iraô, na Nigéria, desde pequeno vivia no mato e aprendeu com Olodumaré o segredo das folhas, e assim viajou o mundo curando o povo. Como não havia dinheiro naquele tempo, recebia mel, fumo e cachaça como pagamento.
Os outros orixás, seus irmãos, viviam enciumados com o sucesso de Ossaim. O temperamental Xangô, um dia pediu a Iansã, sua esposa, para que soprasse um vento e espalhasse as folhas para ele e os outros orixás, para que cada um obtivesse os segredos das folhas e assim não precisassem mais dos favores do irmão, que a tudo cobrava. Iansã atendeu o pedido do marido e mandou o maior vendaval, espalhando as folhas por todo o reino de Aruanda. No meio da ventania, Ossain gritou: “eu, eu assa!”, que significava “oh, folhas” e assim evitou que o poder das mesmas fosse distribuído com os outros, pois, embora pareça fácil, só ele sabia pronunciar essas palavras e conhecer as forças de cada uma delas. Sem outra alternativa, os outros orixás tiveram que devolver as folhas para Ossaim, pois, nas mãos deles, não passavam de folhas mortas.
Carrega um bastão metálico de sete pontas, com um pombo no centro e o seu dia é a segunda-feira, para o Candomblé, e a terça-feira, para o Batuque, e seus filhos devem vestir verde e branco (Candomblé) e verde e amarelo (Batuque).*
*O Batuque é um variante do Candomblé, no Rio Grande do Sul.
Loci, loci, Logum!
Já falei da disputa de Oxum, a mais bela das divindades, e da guerreira Obá, a orixá de uma orelha só e dos amores impossíveis, pelo amor de Xangô, o orixá dos raios, e que culminou na maior disputa culinária que Xangô pôde apreciar e degustar.
Só que Oxum, a deusa da fertilidade, tempos antes de se meter nessa encrenca, era casada com Ogum, o ferreiro guerreiro, e nutria uma paixão desenfreada por Oxossi, o todo-poderoso. Um dia, Ogum partiu para mais uma batalha e Oxum aproveitou para pular a cerca e, como as orixás não usavam anticoncepcional nem se preveniam com camisinha, Oxum ficou grávida de Oxossi.
Nove meses passados, Ogum mandou avisar que estava de volta, justamente quando Oxum dava a luz ao filho de Oxossi. Não podendo mostrar o rebento para o marido, prova cabal de sua traição, deixou o filho em cima de um lírio e foi acalmar Ogum, que voltava doido por um xodó.
Tempos depois, passeando Iansã pela mata, encontrou o menino e o criou, ensinando- o a arte da caça e da pesca. Deu-lhe o nome de Logum Edé que se tornou no mais belo dos orixás.
Caçador nato, certo dia ele se encontrava no alto de uma cachoeira e avistou uma bela mulher se olhando no espelho. Parou e ficou admirando aquela deusa da beleza e da sensualidade, sem saber que se tratava da sua mãe.
Oxum, sentindo-se observada e desejada, mirou o espelho para Logum Edé que caiu encantado dentro d'água, transformado em cavalo-marinho. Ao saber do acontecido, Iansã procurou Ogum e lhe disse tratar-se do seu filho bastardo. Oxum desfez o encantamento, porém transformou Logun Edé em um anfíbio, sendo que seis meses viveria na água e seis meses na terra.
Único orixá hermafrodita, no Brasil ele é cultuado como caçador e em uma parte da África também; a outra parte acha que ele é uma versão masculina de Oxum. O seu dia é a quinta-feira e os seus filhos devem vestir azul-turquesa e amarelo. O seu símbolo é o ofá (arco e flecha) e o leque, chamado de abebé.
Conto 06 - A Vovó e os Netinhos
Burukê Salubá Nanã!
Nana Burukê, a ancestral dos orixás, é a deidade dos lagos e pântanos, mas não é por isso que alguns dos seus filhos vivem no atoleiro. Às vezes é considerada a mãe, outras vezes, a avó dos orixás. Como acontece na vida real, está sendo relegada a segundo plano e alguns terreiros já a internaram em asilo para velhinhos. Na sua juventude, foi considerada a mãe da Terra, a divindade que tudo sabia e que tudo determinava, mas, com o passar do tempo, arranjaram-lhe outra função, a de guia das almas desencarnadas, mas já há quem pense em destituí-la de tal função pois, devido à idade avançada, não tem mais discernimento na hora de separar o joio do trigo, ou seja, está conduzindo a alma de alguns políticos para a Ala dos Inocentes.
Usa uma vassoura de palha para neutralizar as energias negativas do ar e purificar a atmosfera, e aquele que tem olho gordo não deve passar por perto do seu terreiro, porém os seus filhos, poucos mas tem, devem se manifestar no dia de sábado, usando roxo, branco e azul escuro.
Ibeji omo olorum!
Ibeji oró!
Orixás erês (crianças), portadores da alegria e da pureza, protetores dos irmãos gêmeos e dominadores de tudo que nasce, os Ibejis são divindades gêmeas infantis, muito festejadas no mês de setembro, principalmente por aqueles que tiveram filhos gêmeos. Brincalhões e irreverentes, têm o seu culto próprio, apesar de, em algumas variantes da afro-religião, serem considerados como Xangô e Oxum crianças.
Não há cores preferidas no seu dia, sendo que as mais utilizadas são as cores vermelha, branca, azul e amarela. O seu dia é terça-feira e domingo e a festa anual é em 27 de setembro. No sincretismo católico, corresponde a São Cosme e a São Damião.
Havia dois pequenos príncipes gêmeos que trazia a sorte para as pessoas e resolviam problemas insolúveis, inclusive dor-de-cotovelo e menopausa precoce. Como eram crianças, só aceitavam pagamento em doces, guloseimas, brinquedos ou viagem de férias para a Disney.
Como não poderia deixar de ser, eram muito peraltas e viviam aprontando poucas e boas, apesar dos seus pais serem rígidos na educação. Um dia de aula comum, desviaram-se da escola para tomar banho de cachoeira. Um deles escorregou do alto do penhasco, caiu no rio e morreu afogado, o que levou o rei a decretar luto oficial por três dias. O príncipe sobrevivente não se perdoava pela infeliz idéia de ter convencido o irmão a gazetear a aula para um banho de rio e também queria morrer. Vivia chorando pelos cantos, sem comer nada, e orando a Orumilá para levá-lo também, pois sentia muita saudade do irmão. Sensibilizada, Orumilá resolveu atender ao seu pedido e o levou a passear com o irmão em nuvens de algodão doce, deixando na terra duas imagens de barro, as quais devem ser deixadas oferendas pelos seus devotos.
Conto 07 – As Criaturas
Arrumbobô!
Nana Burukê concebeu um filho de Oxalá, o terrível e temível de feio Obaluaiyê, um monstro, se comparado aos outros bebês de Aruanda. Quando Nanã Burukê passava com o primogênito, as outras mães começavam a cantar: “ô, coisinha/ tão bonitinho/ do pai!” e a mulher de Oxalá foi consultar Ifá, o orixá ginecologista, e este lhe disse que convencesse Oxalá a lhe dar outro filho, que seria uma candura de menino, belo o tanto quanto o arco-íris, porém ela não privaria de sua companhia, não poderia amamentá-lo nem trocar a sua fralda.
E assim, depois que engravidou, passou a esnobar as vizinhas, pois sabia que o seu filho seria uma belezura de menino. Nove meses depois nasceu um estranho rebento, que recebeu o nome de Oxumaré. Quando a enfermeira levou o garoto para a mãe dar um cheiro, ele se transformou em um arco-íris e desapareceu no céu, e, como dizia as profecias, durante seis meses do ano ele passou a decompor as cores da luz, canalizando água para o seu pai Oxalá, em Aruanda. Os outros seis meses ele se transformava em cobra, que dava uma volta na Terra. Faminto, queria comer o próprio rabo e, de tanto se esforçar, deu um solavanco no planeta e este nunca mais parou de girar sobre o seu eixo.
Considerado o transmissor do axé e da sabedoria, Senhor do arco-íris, o seu símbolo da cobra mordendo o próprio rabo representa a Vida, a Morte e o Renascimento. O seu dia é a quinta-feira, suas cores são amarelas e pretas e deve se usar um adorno com duas cobras de metal.
Atotô Obaluaiê! Atotô baba!
Omolu, o representante da varíola e de todo tipo de epidemia, mete medo em quem o vê. Irmão mais velho de Oxumaré, vive enrolado dos pés à cabeça para esconder as feridas e o corpo esquelético, e curvado sob as dores e os tremores da febre. Carrega um cetro adornado em contas e búzios, de nome Xaxará, que usa como captador de cargas negativas.
Também é conhecido como Xapanã e Obaluyaiê, quase não há seguidores, sendo que os poucos filhos devem vestir preto, vermelho e branco no dia de segunda-feira. No sincretismo, corresponde a São Lázaro, o santo das chagas, e sua festa anual é em 17 de dezembro.
Irrô!
Rincô Ewá!
Ewá era uma exímia e bela caçadora. Sua beleza não só ofuscava os admiradores, como também cegava, devido ao veneno que ela lançava em quem ousasse lhe encarar ou lhe dar uma simples piscadela de olhos. Um dia ela encontrou Omolu, o Ser Supremo, vadiando pela mata e por ele se apaixonou perdidamente. Casaram-se na igreja e no civil, porém Omulu era extremamente ciumento e um dia, desconfiado dos bochichos à boca pequena da vizinhança fofoqueira, se invocou que estava sendo traído e prendeu Ewá em um formigueiro, deixando-a entregue à própria sorte. As formigas fizeram um banquete com a carne da rainha da caça e da beleza, e quando Ewá ameaçou dar o último suspiro, Omulu apareceu e a levou para casa, certo de que a sirigaita havia aprendido a lição. Ewá ficou totalmente deformada pelas picadas das formigas, cheia de hematomas pelo corpo. O seu rosto, cuja beleza matara muita gente, virou um rosto feio e disforme, tomado pelas cicatrizes. Omulu a cobriu de palha-da-costa, de coloração vermelha, para que ninguém visse sua feiúra nem o repreendesse pelo castigo dado à esposa por uma simples suspeita. Qualquer semelhança com o mundo dos mortais é mera coincidência.
É considerada a orixá da temperança e da pureza. Os seus filhos devem vestir vermelho, no sábado.
Laroiê Exu Mojubá!
Ao contrário do que se pensa a respeito dele, Exu é o mensageiro dos orixás, elemento de ligação entre o mundo dos vivos e o espiritual. De tanto subir e descer, adquiriu o vício dos humanos e só trabalha mediante pagamento, quer seja em dinheiro, bebida ou sacrifício de animais. Quem não cumprir o trato, será severamente castigado por ele.
No jogo de Ifá (jogo de búzios), ele é portador da resposta.
Conhecido também como Legba ou Elegba, carrega sempre seu bastão de madeira de nome Ógo e os seus poucos seguidores devem usar roupa preta e vermelha nos dias de segunda-feira. Não há santo correspondente na religião católica, sendo que ele é erroneamente comparado com o Diabo. Mas, por precaução, é melhor não invocá-lo em vão, pois há três tipos de Exus (Pagão, Batizado e Coroado) e um deles, o Pagão, gosta de reverter as coisas quando não se sai bem lá em cima. Ou seja: o feitiço pode virar contra o feiticeiro.
Todo orixá tem um Exu, ou o seu mensageiro.
Conto 01 – Os Orixás Viajaram em Tumbeiros
Saravá, meu pai, confio em Deus! Saravá é uma saudação nos terreiros de cultos afro-brasileiros, que tem o significado de “salve”. Corruptela da palavra portuguesa “salvar”, cujos escravos tinham dificuldade de pronunciar, e diziam “salavar”. Sob a influência da fonologia banta, passou a se falar “saravá”, para desespero e raiva dos puristas gramaticais, que acham que a nossa Língua tem que ser a mesma que veio nas caravelas de Pedro Álvares Cabral e seus sucessores, não importando a dimensão continental do Brasil nem a origem dos seus povoadores. Saravá!
Apesar de ser Oxalá o criador da humanidade, não é ele o Ser Supremo de Aruanda. Isso compete a Olorum, o deus-Uno, o Criador do Plano Astral e dos orixás, que um dia foram gente influente e poderosa aqui na terra e se tornaram entidades divinizadas quando desencarnaram, servindo de ponte que liga os humanos a Olorum, ou Olodumaré (Olorum para os nagôs; Zambi ou Obatalá para os bantus), com suas paixões e defeitos, cuja origem remota a mais de cinco mil anos.
Aruanda é um dos nomes do plano astral superior, o Paraíso dos católicos, os Campos Elíseos dos gregos. A Roma iorubaiana fica em Ifé, cidade a sudoeste da Nigéria, hoje com uma população de 152 mil habitantes. O Latim de seus cultos se chama Iorubá, que teve sua origem na Nigéria Ocidental e se espalhou pelo mundo nos navios negreiros, sendo que os iorubaianos, trazidos em larga escala para o Brasil, aqui chegando, receberam o nome de nagô e exerceram forte influência social e religiosa sobre outros grupos igualmente escravizados, principalmente na Bahia, com exceção dos malês, negros da África muçulmana, praticantes do Islã.
O sincretismo religioso que se propaga aos quatro ventos como fato consumado entre o catolicismo e a afro-religião, mais propriamente ao Candomblé, não é, de fato, a fusão filosófica das duas religiões em uma só, conforme acepção da palavra. Nem mesmo há uma fusão parcial. Os negros, proibidos de cultuar seus deuses nas senzalas ou nos morros, fingiam homenagear os santos católicos nas suas festas e batuques e assim eram tolerados pelos brancos e deixados em paz pela polícia. Nas festas ditas sincréticas, o que há é um paralelismo dogmático entre os católicos, que cultuam seus santos em suas igrejas ou comunidades, e os seguidores da afro-religião, que reverenciam suas deidades em seus batuques, não havendo nenhuma síntese doutrinária ou junção filosófica entre essas religiões. Cada uma segue o seu rito distinto, sem consagração sacramental nos terreiros, nem toque de atabaques nas eucaristias.
Epa baba! Saravá, meu rei!
Sexta-feira é dia de Oxalá, o criador da humanidade, e os seus filhos devem vestir branco.
Oxalá tem vários nomes, entre eles, Oxalufan, que é Oxalá velho, Oxaguian, quando está guerreando, Orixanlá pra qualquer coisa, e Obatalá, quando assume sua condição de Rei Branco e leva semanas para tomar uma decisão importante, ponderando os prós e os contra, com lenta meticulosidade. No sincretismo baiano, ele é o Senhor do Bonfim, a maior divindade dos baianos, e talvez seja por causa de Obatalá que os conterrâneos do ministro Gilberto Gil levam semanas para morrer de morte súbita. Nos outros cantos do Brasil ele é Jesus Cristo.
Faz parte do seu traje de cerimonial: seu cajado de prata ou de metal prateado, ornado de arandelas sobrepostas, encimado por um pássaro ou coroa, chamado de opaxorô, ou paxorô.
Conto 02 - O Rei e o Pássaro Comedor de Inhame
Okê Arô!
Okê Oxossi!
No reino de Ifé, no sudoeste da Nigéria, todos os anos se comemorava a festa dos inhames e ninguém podia usufruir a nova colheita enquanto não acabasse a farra. O rei Odudua, nesse dia, fazia questão de desfilar com suas mulheres e ministros, distribuindo simpatia no meio do povo. A festa corria bem, com os ifelenses comendo inhame de manhã, de tarde e de noite, bebendo vinho de palma, porém as feiticeiras Iyá-mi, donas dos terríveis pássaros noturnos, chateadas porque não foram convidadas para a festa, resolveram acabar com o festival inhamal e enviaram para Ifé uma ave gigantesca e aterradora, que pousou na torre do palácio, promovendo a maior tragédia de que se teve notícia na Nigéria. Chamaram o destemido Oxó Togum, o caçador de vinte flechas, para matar o pássaro; errou todas, escapou de ser devorado pelo pássaro, mas foi direto para o calabouço e durante muitos anos viu o sol nascer quadrado. Chamaram então Oxó Togi, o caçador de quarenta flechas, mas não conseguiu acertar o temível pássaro e teve o mesmo destino de Oxó Togum; trouxeram Oxó Todotá, o caçador de cinqüenta flechas, que tremeu nas bases e teve o mesmo fim dos seus colegas caçadores. O rei, desesperado, não viu mais nenhum caçador famoso para chamar. Então o mensageiro da corte se lembrou de Oxó Tocanxoxô, o caçador pobre, que só tinha uma flecha. Rei e súditos riram amarelados, incrédulos. Mas era a última esperança do rei Odudua. Oxó Tocanxoxô desafiou:
— Que me cortem aos pedaços se eu não matar esse comedor de inhame gigante!
Oxó Tocanxoxô era filho único e a sua mãe não queria perdê-lo assim, sem mais nem menos. Se não matasse o pássaro, seria esquartejado. Consultou um feiticeiro famoso, que a aconselhou a fazer uma oferenda, única maneira de seu filho se salvar e se tornar rico. Ela cumpriu fielmente o ritual: em uma encruzilhada, ofereceu uma galinha com o peito aberto às Iyá-mi e gritou “que o peito do pássaro receba esta oferenda!”. O pássaro, enjoado de comer inhame, ao receber a oferenda, abriu as asas e disse “oba!”, vacilando e desguarnecendo o peito. O caçador de uma flecha só aproveitou a oportunidade para acertar o seu coração. Foi tiro e queda. Digo, foi flecha e queda. E o povo feliz, liberto do terror, ovacionou seu herói, gritando “Oxó Ussi!, Oxó Ussi”, que, com o passar do tempo, foi simplificado para Oxossi, traduzindo para o Português, significa “Guardião do povo”.
E assim os ifelenses continuaram a festa, dessa vez, comendo inhame com carne do pássaro abatido e, em agradecimento, fizeram do caçador Oxó Tocanxô, o rei de Ketu.
Oxossi é o orixá da vida. Para ele não importa o quanto se viva, desde que se viva intensamente. Seu fetiche é um arco e flecha, uma frigideira de barro e uma pedra. Suas cores são o verde, o azul e o vermelho vivo e as filhas de santo devem vestir verde e amarelo com pulseira de bronze. Seu dia é a quinta-feira e sua festa anual é no dia de Corpus Christi. No sincretismo religioso, ele é identificado como São Jorge, na Bahia e Pernambuco e São Sebastião, no Rio de Janeiro.
Conto 03 - Um deus suicida
Oguniê!
Ogum é filho de Iemanjá com Odudua. Desde pequeno que era destemido e viril, tornando-se um guerreiro bravo e conquistador, tomando para si tudo o que desejava, das mulheres ao poder.
Ogum guerreou e conquistou a cidade de Irê, tornando-se seu rei. Expandiu seu território pelas cidades vizinhas e se transformou em senhor absoluto. Nos intervalos das guerras, criou os metais e a forja, se tornando num exímio ferreiro, fabricando, além de lanças e espadas, ferramentas úteis no campo para o plantio.
Um dia saiu a guerrear pelo mundo com seu irmão mais velho, Exu, e coroou o seu filho rei de Irê. Os moradores, em sua homenagem, fizeram voto de silêncio e de jejum que deveria ser aplicado em determinadas ocasiões.
Ogum, em sua sede de guerra, deu a volta ao mundo e nem percebeu que havia retornado ao seu reinado, Irê. Coincidiu ser o dia do voto de fome e de silêncio e Ogum não sabia disso. Faminto, sedento, queria ser servido, porém esbarrou na falta de comida e na mudez dos habitantes. Achando que era um desrespeito a ele, desembainhou a espada e cortou a cabeça de quase metade da população, incendiou as casas e quebrou tudo que encontrou pela frente. No meio da fúria, reconheceu o filho que lhe levava água e comida.
Satisfeito o apetite, o seu filho lhe falou que, em sua honra, ninguém deveria falar naquele dia. Ogum lamentou o acontecido, arrependido, disse que já vivera o bastante. Ato contínuo, cravou a espada no chão e foi tragado pela terra, fazendo um ruído medonho.
Ao abrir picadas na mata, Ogum abriu caminhos para o progresso. Está associado à luta, conquista e tecnologia e, no sincretismo, corresponde a São Jorge e o seu dia é comemorado em 23 de abril.
O dia da semana é terça-feira e os seus filhos devem vestir vermelho, azul e verde.
Conto 04 – Eram os Orixás Adúlteros?
Kawo kabiesilé, Xangô!
Eparrê, Iansã!
Quarta-feira, é o dia de Xangô e de uma de suas três esposas, Iansã, conhecida também como Oyá. Seus filhos devem vestir vermelho e branco para Xangô, ou grená e marrom para Iansã.
Xangô é o orixá símbolo da Justiça, um mulherengo inveterado e bom orador. Perseguidor implacável dos malfeitores, dizem que cospe fogo tal qual os dragões em seus momentos de fúria. No sincretismo com os santos católicos, corresponde a São Jerônimo.
Iansã é a divindade dos ventos, dos raios e das tempestades. A Santa Bárbara dos católicos. Foi a primeira esposa de Xangô e ex-esposa de Ogum, o ferreiro, este, filho de Yemanjá com Oxalá.
Diz a lenda que Oyá era companheira de Ogum e lhe auxiliava na sua metalúrgica, trabalhando como ajudante de ferreiro, ora atiçando o fole, ora carregando as ferramentas. Ogum, grato à companheira por lhe ajudar sem cobrar salário nem torrar a sua paciência, lhe presenteou com uma lança igual a sua, que tinha o poder de dividir o homem em sete. Tão apaixonado estava, que a lança de Oyá ganhou poderes de se dividir em nove durante um combate, caso fosse tocada pela arma do adversário.
Um dia Xangô apareceu jogando olhares lascivos para Oyá, uma bela morena de cabelos anelados e olhos tentadores. Xangô era um orixá vigoroso, seguro de si, usando brincos e pulseiras, além de belos anéis nos dedos. Oyá sentiu os olhares penetrantes de Xangô abalar seus alicerces sentimentais, não resistiu, e fugiu com ele para a floresta. Ogum, ferido em seus brios de macho, pediu permissão a Olorum para duelar com sua ex-amante. Queria vingar a honra ferida.
Permissão concedida, partiu Ogum atrás de Oyá e travaram um longo, violento e inesquecível duelo, e chegou uma hora que os dois se tocaram com suas armas, mutuamente. Ogum se dividiu em sete e Oyá em nove, se transformando em Iansã, que quer dizer, mãe dividida em nove, ou nove mães. Em desvantagem numérica, Ogum desistiu da luta e foi para o mar esfriar a cabeça. Xangô e Iansã pegaram um avião e foram passar a lua-de-mel em Aruanda, e viveram felizes até o dia em que apareceram duas pretendentes ao amor de Xangô: uma, outra ex-mulher de Ogum, uma guerreira de nome Obá; a outra, a mais bela das belas deidades, Oxum, a orixá da fertilidade.
Xangô, além de mulherengo, era um comilão e adorava pratos suculentos e variados. As duas pretendentes travaram um duelo ao pé do fogão, cada uma com sua culinária requintada, procurando fisgar o coração de Xangô pela boca.
Um dia Oxum preparava um prato para o seu amado com um véu cobrindo-lhe as orelhas, quando se aproximou Obá; curiosa, quis saber o que a rival estava cozinhando.
– Estou fazendo ensopado de minhas orelhas, pois descobri que Xangô adora uma orelha ensopada – disse a dengosa e inteligente orixá.
Obá ficou de botuca e viu quando Xangô chegou, se aboletou e devorou a comida com tremendo gosto e satisfação, lambendo os lábios, os dedos e repetindo o prato mais seis vezes. A semana seguinte seria a sua vez de servir o almoço para Xangô e não contou conversa: passou o facão em uma orelha sua e serviu ao molho pardo ao orixá da Guerra e da Justiça, o Guerreiro Supremo. Este, sentindo o gosto de cera de ouvido, quando soube do que se tratava, deu um urro, se levantou furioso, meteu o pé na mesa, chutou o prato longe e ainda deu uns catiripapos na orixá guerreira. Sem entender patavina de nada, Obá foi ter com Oxum e saber o que tinha saído errado. Chegando lá, caiu em si e tomou consciência de que havia sido vítima de uma sórdida armadilha, preparada pela debochada rival. Travaram o maior quebra-pau em Aruanda, com as duas se unhando e se descabelando, e Obá querendo arrancar a orelha de Oxum a dentadas, até que um vizinho correu para avisar a Xangô e o mesmo apareceu para pôr ordem na casa, distribuindo bofetões a torto e a direito, ameaçando soltar fogo pelas ventas. Dizem que as duas, com medo da fúria de Xangô, fugiram para a floresta e se transformaram em rios.
É por causa da vergonha da orelha decepada que Obá se manifesta nos humanos cobrindo as orelhas.
Conto 05 – A Sereia, o Caçador e o Sapo
Odoyá!
Iemanjá, ou Janaína, era filha de Olokun, a deusa do mar. Casou-se com Olófim Odudua e teve dez filhos, os quais gostavam muito de mamar e esticaram imensamente os seios da mãe. Como não havia cirurgia plástica naquela época nem prótese de silicone, Iemanjá, vaidosa que ela só, sentia grande vergonha de aparecer de biquíni na praia de Ifé. Um dia, cansada dos cochichos e risinhos debochados das siliconadas do reino, resolveu fugir para bem longe, rumo oeste, indo parar no reinado de Okerê, a cidade de Xaki. Como até os deuses sentem amor à primeira vista, Iemanjá e Okerê juntaram as escovas de dente, porém Iemanjá impôs uma condição ao seu amado: que ele nunca falasse de seus enormes seios. E viveram felizes para sempre até o dia em que Okerê encheu a cara de cachaça e esqueceu o prometido, passando a dizer gracinhas a respeito da protuberância das tetas de Iemanjá. Magoada e ofendida, a peituda saiu correndo mundo afora, levando um pote de porção mágica que sua mãe lhe dera para ser usado em caso de necessidade. Durante a fuga, Iemanjá tropeçou, foi ao chão, quebrando o pote da porção mágica, que a transformou em um caudaloso rio, correndo para o mar. Okerê, ciente da besteira que tinha feito pois não se pode brincar com a vaidade feminina, se transformou em uma montanha para represar as águas do mais novo rio do seu reinado. Iemanjá pediu ajuda ao seu filho Xangô, o mal-humorado, e este partiu a montanha ao meio, com um raio de não sei quantos megatons, seguindo o rio o seu curso normal, alcançando o mar, e Iemanjá se transformando na rainha das águas, para júbilo e deleite da vaidade feminina.
Se alguém quiser convidá-la para uma farra, tem que ser regada a champanhe, de preferência francesa, pois é a mais chique das divindades, não aceitando oferenda de um-nove-nove ou presente importado do Paraguai.
Seus filhos, predominantemente de mulheres, devem vestir branco e prata, aos sábados. Sua festa anual é no dia 2 de fevereiro. O santo correspondente no sincretismo é Nossa Senhora e algumas de suas denominações.
Ewê, ewê ô!
Ossaim é o orixá das folhas e das liturgias, detentor dos segredos medicinais e conhecedor das palavras que despertam o axé (força, poder) das folhas e por isso é o primeiro orixá consagrado nos rituais do candomblé, pois as folhas estão diretamente relacionadas com o cotidiano dos seguidores da afro-religião e, por causa disso, sem Ossaim e sua cura por meio das folhas, não há axé nos candomblés nem batuques nos terreiros gaúchos.
Filho caçula de Iemanjá e Oxalá, nascido na região de Iraô, na Nigéria, desde pequeno vivia no mato e aprendeu com Olodumaré o segredo das folhas, e assim viajou o mundo curando o povo. Como não havia dinheiro naquele tempo, recebia mel, fumo e cachaça como pagamento.
Os outros orixás, seus irmãos, viviam enciumados com o sucesso de Ossaim. O temperamental Xangô, um dia pediu a Iansã, sua esposa, para que soprasse um vento e espalhasse as folhas para ele e os outros orixás, para que cada um obtivesse os segredos das folhas e assim não precisassem mais dos favores do irmão, que a tudo cobrava. Iansã atendeu o pedido do marido e mandou o maior vendaval, espalhando as folhas por todo o reino de Aruanda. No meio da ventania, Ossain gritou: “eu, eu assa!”, que significava “oh, folhas” e assim evitou que o poder das mesmas fosse distribuído com os outros, pois, embora pareça fácil, só ele sabia pronunciar essas palavras e conhecer as forças de cada uma delas. Sem outra alternativa, os outros orixás tiveram que devolver as folhas para Ossaim, pois, nas mãos deles, não passavam de folhas mortas.
Carrega um bastão metálico de sete pontas, com um pombo no centro e o seu dia é a segunda-feira, para o Candomblé, e a terça-feira, para o Batuque, e seus filhos devem vestir verde e branco (Candomblé) e verde e amarelo (Batuque).*
*O Batuque é um variante do Candomblé, no Rio Grande do Sul.
Loci, loci, Logum!
Já falei da disputa de Oxum, a mais bela das divindades, e da guerreira Obá, a orixá de uma orelha só e dos amores impossíveis, pelo amor de Xangô, o orixá dos raios, e que culminou na maior disputa culinária que Xangô pôde apreciar e degustar.
Só que Oxum, a deusa da fertilidade, tempos antes de se meter nessa encrenca, era casada com Ogum, o ferreiro guerreiro, e nutria uma paixão desenfreada por Oxossi, o todo-poderoso. Um dia, Ogum partiu para mais uma batalha e Oxum aproveitou para pular a cerca e, como as orixás não usavam anticoncepcional nem se preveniam com camisinha, Oxum ficou grávida de Oxossi.
Nove meses passados, Ogum mandou avisar que estava de volta, justamente quando Oxum dava a luz ao filho de Oxossi. Não podendo mostrar o rebento para o marido, prova cabal de sua traição, deixou o filho em cima de um lírio e foi acalmar Ogum, que voltava doido por um xodó.
Tempos depois, passeando Iansã pela mata, encontrou o menino e o criou, ensinando- o a arte da caça e da pesca. Deu-lhe o nome de Logum Edé que se tornou no mais belo dos orixás.
Caçador nato, certo dia ele se encontrava no alto de uma cachoeira e avistou uma bela mulher se olhando no espelho. Parou e ficou admirando aquela deusa da beleza e da sensualidade, sem saber que se tratava da sua mãe.
Oxum, sentindo-se observada e desejada, mirou o espelho para Logum Edé que caiu encantado dentro d'água, transformado em cavalo-marinho. Ao saber do acontecido, Iansã procurou Ogum e lhe disse tratar-se do seu filho bastardo. Oxum desfez o encantamento, porém transformou Logun Edé em um anfíbio, sendo que seis meses viveria na água e seis meses na terra.
Único orixá hermafrodita, no Brasil ele é cultuado como caçador e em uma parte da África também; a outra parte acha que ele é uma versão masculina de Oxum. O seu dia é a quinta-feira e os seus filhos devem vestir azul-turquesa e amarelo. O seu símbolo é o ofá (arco e flecha) e o leque, chamado de abebé.
Conto 06 - A Vovó e os Netinhos
Burukê Salubá Nanã!
Nana Burukê, a ancestral dos orixás, é a deidade dos lagos e pântanos, mas não é por isso que alguns dos seus filhos vivem no atoleiro. Às vezes é considerada a mãe, outras vezes, a avó dos orixás. Como acontece na vida real, está sendo relegada a segundo plano e alguns terreiros já a internaram em asilo para velhinhos. Na sua juventude, foi considerada a mãe da Terra, a divindade que tudo sabia e que tudo determinava, mas, com o passar do tempo, arranjaram-lhe outra função, a de guia das almas desencarnadas, mas já há quem pense em destituí-la de tal função pois, devido à idade avançada, não tem mais discernimento na hora de separar o joio do trigo, ou seja, está conduzindo a alma de alguns políticos para a Ala dos Inocentes.
Usa uma vassoura de palha para neutralizar as energias negativas do ar e purificar a atmosfera, e aquele que tem olho gordo não deve passar por perto do seu terreiro, porém os seus filhos, poucos mas tem, devem se manifestar no dia de sábado, usando roxo, branco e azul escuro.
Ibeji omo olorum!
Ibeji oró!
Orixás erês (crianças), portadores da alegria e da pureza, protetores dos irmãos gêmeos e dominadores de tudo que nasce, os Ibejis são divindades gêmeas infantis, muito festejadas no mês de setembro, principalmente por aqueles que tiveram filhos gêmeos. Brincalhões e irreverentes, têm o seu culto próprio, apesar de, em algumas variantes da afro-religião, serem considerados como Xangô e Oxum crianças.
Não há cores preferidas no seu dia, sendo que as mais utilizadas são as cores vermelha, branca, azul e amarela. O seu dia é terça-feira e domingo e a festa anual é em 27 de setembro. No sincretismo católico, corresponde a São Cosme e a São Damião.
Havia dois pequenos príncipes gêmeos que trazia a sorte para as pessoas e resolviam problemas insolúveis, inclusive dor-de-cotovelo e menopausa precoce. Como eram crianças, só aceitavam pagamento em doces, guloseimas, brinquedos ou viagem de férias para a Disney.
Como não poderia deixar de ser, eram muito peraltas e viviam aprontando poucas e boas, apesar dos seus pais serem rígidos na educação. Um dia de aula comum, desviaram-se da escola para tomar banho de cachoeira. Um deles escorregou do alto do penhasco, caiu no rio e morreu afogado, o que levou o rei a decretar luto oficial por três dias. O príncipe sobrevivente não se perdoava pela infeliz idéia de ter convencido o irmão a gazetear a aula para um banho de rio e também queria morrer. Vivia chorando pelos cantos, sem comer nada, e orando a Orumilá para levá-lo também, pois sentia muita saudade do irmão. Sensibilizada, Orumilá resolveu atender ao seu pedido e o levou a passear com o irmão em nuvens de algodão doce, deixando na terra duas imagens de barro, as quais devem ser deixadas oferendas pelos seus devotos.
Conto 07 – As Criaturas
Arrumbobô!
Nana Burukê concebeu um filho de Oxalá, o terrível e temível de feio Obaluaiyê, um monstro, se comparado aos outros bebês de Aruanda. Quando Nanã Burukê passava com o primogênito, as outras mães começavam a cantar: “ô, coisinha/ tão bonitinho/ do pai!” e a mulher de Oxalá foi consultar Ifá, o orixá ginecologista, e este lhe disse que convencesse Oxalá a lhe dar outro filho, que seria uma candura de menino, belo o tanto quanto o arco-íris, porém ela não privaria de sua companhia, não poderia amamentá-lo nem trocar a sua fralda.
E assim, depois que engravidou, passou a esnobar as vizinhas, pois sabia que o seu filho seria uma belezura de menino. Nove meses depois nasceu um estranho rebento, que recebeu o nome de Oxumaré. Quando a enfermeira levou o garoto para a mãe dar um cheiro, ele se transformou em um arco-íris e desapareceu no céu, e, como dizia as profecias, durante seis meses do ano ele passou a decompor as cores da luz, canalizando água para o seu pai Oxalá, em Aruanda. Os outros seis meses ele se transformava em cobra, que dava uma volta na Terra. Faminto, queria comer o próprio rabo e, de tanto se esforçar, deu um solavanco no planeta e este nunca mais parou de girar sobre o seu eixo.
Considerado o transmissor do axé e da sabedoria, Senhor do arco-íris, o seu símbolo da cobra mordendo o próprio rabo representa a Vida, a Morte e o Renascimento. O seu dia é a quinta-feira, suas cores são amarelas e pretas e deve se usar um adorno com duas cobras de metal.
Atotô Obaluaiê! Atotô baba!
Omolu, o representante da varíola e de todo tipo de epidemia, mete medo em quem o vê. Irmão mais velho de Oxumaré, vive enrolado dos pés à cabeça para esconder as feridas e o corpo esquelético, e curvado sob as dores e os tremores da febre. Carrega um cetro adornado em contas e búzios, de nome Xaxará, que usa como captador de cargas negativas.
Também é conhecido como Xapanã e Obaluyaiê, quase não há seguidores, sendo que os poucos filhos devem vestir preto, vermelho e branco no dia de segunda-feira. No sincretismo, corresponde a São Lázaro, o santo das chagas, e sua festa anual é em 17 de dezembro.
Irrô!
Rincô Ewá!
Ewá era uma exímia e bela caçadora. Sua beleza não só ofuscava os admiradores, como também cegava, devido ao veneno que ela lançava em quem ousasse lhe encarar ou lhe dar uma simples piscadela de olhos. Um dia ela encontrou Omolu, o Ser Supremo, vadiando pela mata e por ele se apaixonou perdidamente. Casaram-se na igreja e no civil, porém Omulu era extremamente ciumento e um dia, desconfiado dos bochichos à boca pequena da vizinhança fofoqueira, se invocou que estava sendo traído e prendeu Ewá em um formigueiro, deixando-a entregue à própria sorte. As formigas fizeram um banquete com a carne da rainha da caça e da beleza, e quando Ewá ameaçou dar o último suspiro, Omulu apareceu e a levou para casa, certo de que a sirigaita havia aprendido a lição. Ewá ficou totalmente deformada pelas picadas das formigas, cheia de hematomas pelo corpo. O seu rosto, cuja beleza matara muita gente, virou um rosto feio e disforme, tomado pelas cicatrizes. Omulu a cobriu de palha-da-costa, de coloração vermelha, para que ninguém visse sua feiúra nem o repreendesse pelo castigo dado à esposa por uma simples suspeita. Qualquer semelhança com o mundo dos mortais é mera coincidência.
É considerada a orixá da temperança e da pureza. Os seus filhos devem vestir vermelho, no sábado.
Laroiê Exu Mojubá!
Ao contrário do que se pensa a respeito dele, Exu é o mensageiro dos orixás, elemento de ligação entre o mundo dos vivos e o espiritual. De tanto subir e descer, adquiriu o vício dos humanos e só trabalha mediante pagamento, quer seja em dinheiro, bebida ou sacrifício de animais. Quem não cumprir o trato, será severamente castigado por ele.
No jogo de Ifá (jogo de búzios), ele é portador da resposta.
Conhecido também como Legba ou Elegba, carrega sempre seu bastão de madeira de nome Ógo e os seus poucos seguidores devem usar roupa preta e vermelha nos dias de segunda-feira. Não há santo correspondente na religião católica, sendo que ele é erroneamente comparado com o Diabo. Mas, por precaução, é melhor não invocá-lo em vão, pois há três tipos de Exus (Pagão, Batizado e Coroado) e um deles, o Pagão, gosta de reverter as coisas quando não se sai bem lá em cima. Ou seja: o feitiço pode virar contra o feiticeiro.
Todo orixá tem um Exu, ou o seu mensageiro.
Sim, devemos trabalhar durante a Quaresma!
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A Umbanda e o Candomblé têm tudo a ver com o período colonial brasileiro, ou seja, com a época que, para a vergonha de todos nós, o poder branco europeu instituiu a escravidão dos negros para a salvação de suas almas. Dizia-se que escravizar era a forma de fazer com que os negros, e consequentemente suas crenças nos Orixás africanos, se tornassem bons cristãos para salvarem suas almas. Com esse pensamento hipócrita e depois de fracassarem nas tentativas escravizar os índios brasileiros, a Igreja Católica Apostólica Romana, atendendo às solicitações do Bispo espanhol Dom Bartolomeu de Las Casas, conseguiu do Papa a autorização para que se importassem da África os negros escravos, alegando que a igreja de Cristo não permitia que se fizesse escravo um homem livre, mas nada tinha a opor que se utilizasse (ou que se comprasse, como se fosse qualquer mercadoria) um homem que já era escravo. Desta forma, contrariando o verdadeiro ensinamento de Cristo, a igreja importou milhões de negros nos quatro séculos que durou a escravidão. Depois o Papa pediu perdão e ficou tudo por isso mesmo …
Ironias e hipocrisias à parte, as cortes europeias, com o apoio dos padres, durante mais de quatrocentos anos tentaram impor aos negros, mestiços e mesmo aos brancos desafortunados seus valores e sua religião mesmo que, invocando Nosso Senhor Jesus Cristo, mantivesse a riqueza da nobreza europeia à custa da dor, do sofrimento e do sangue destes infelizes africanos. Obrigados a se tornarem cristãos, os negros tinham que renegar suas crenças ao tomarem nomes cristãos e ao cumprirem todo o ritual cristão para não serem punidos pelos senhores brancos.
Quatrocentos anos de escravidão tornaram o Brasil um país de mestiços. Cinquenta por cento, ou mais, de sua população é de origem africana. Por isso é que, mesmo mantendo por todo esse tempo sua verdadeira crença nos Orixás, foi preciso esconder suas práticas religiosas nos rituais cristãos. Nosso Calendário Litúrgico é cristão, então, São Jorge passou a ser Ogum; Nossa Senhora virou Iemanjá, Oxum e assim por diante, sempre ocultando dos brancos suas verdadeiras crenças pois sabiam que, se um dia conseguissem se libertar, só seriam aceitos de volta em sua terra se mantivessem seu próprio idioma, suas crenças, seus hábitos e costumes. Como parte dessa cultura religiosa IMPOSTA ficou para nós o já elaborado Calendário Cristão e, como ponto alto desse mesmo calendário, está a prática medieval de se observarem os quarenta dias de resguardo da Quaresma que antecedem a Sexta-Feira Santa e a Páscoa.
A princípio a igreja se mantinha de luto por quarenta dias, começando na Quarta-Feira de Cinzas. Os altares e as capelas menores eram cobertos com panos roxos (Nana?). Toda atividade artística alegre cessava e os Terreiros que funcionavam escondidos, temendo represálias por serem descobertos, cessavam suas atividades. Considerando que as atividades com os chamados Guias de Luz e com os Orixás estão paradas valem-se disso os que trabalham nas sombras, os espíritos dos malignos que aproveitam-se de estarem desprevenidos os homens bons para promoverem o mau.
A tradição de se fechar os Templos de Umbanda quando não havia liberdade de crença, não tem razão de ser no mundo atual. Muito ao contrário, é nessa época que NÃO DEVEMOS PARAR, é nessa época em que a quimbanda maligna trabalha à vontade, que o Templo deve estar preparado para, com o auxílio das Entidades de Luz, denunciar qualquer trabalho negativo que tenha sido feito para atrapalhar seus Filhos de Fé ou frequentadores. Atualmente, interromper os trabalhos do Templo na Quaresma é descabido, é ingenuidade, é desconhecer que os inimigos trabalham nas trevas e que, se não temos o Preto- Velho, o Caboclo ou qualquer entidade que possa nos avisar do mau feito, estaremos desprotegidos, descobertos, ou seja, nas mãos dos inimigos. É preciso URGENTEMENTE esclarecer que a Quaresma não é Afro, é hebraico-europeia, e que já não é preciso se esconder de ninguém, pois nossa Constituição nos assegura o direito à liberdade de crença e os padres já não podem mais nos queimar nas fogueiras da inquisição.
Por isso, vamos abrir nossos Templos de Umbanda na Quaresma e cuidar com amor dos nossos Filhos de Fé.
A Umbanda e o Candomblé têm tudo a ver com o período colonial brasileiro, ou seja, com a época que, para a vergonha de todos nós, o poder branco europeu instituiu a escravidão dos negros para a salvação de suas almas. Dizia-se que escravizar era a forma de fazer com que os negros, e consequentemente suas crenças nos Orixás africanos, se tornassem bons cristãos para salvarem suas almas. Com esse pensamento hipócrita e depois de fracassarem nas tentativas escravizar os índios brasileiros, a Igreja Católica Apostólica Romana, atendendo às solicitações do Bispo espanhol Dom Bartolomeu de Las Casas, conseguiu do Papa a autorização para que se importassem da África os negros escravos, alegando que a igreja de Cristo não permitia que se fizesse escravo um homem livre, mas nada tinha a opor que se utilizasse (ou que se comprasse, como se fosse qualquer mercadoria) um homem que já era escravo. Desta forma, contrariando o verdadeiro ensinamento de Cristo, a igreja importou milhões de negros nos quatro séculos que durou a escravidão. Depois o Papa pediu perdão e ficou tudo por isso mesmo …
Ironias e hipocrisias à parte, as cortes europeias, com o apoio dos padres, durante mais de quatrocentos anos tentaram impor aos negros, mestiços e mesmo aos brancos desafortunados seus valores e sua religião mesmo que, invocando Nosso Senhor Jesus Cristo, mantivesse a riqueza da nobreza europeia à custa da dor, do sofrimento e do sangue destes infelizes africanos. Obrigados a se tornarem cristãos, os negros tinham que renegar suas crenças ao tomarem nomes cristãos e ao cumprirem todo o ritual cristão para não serem punidos pelos senhores brancos.
Quatrocentos anos de escravidão tornaram o Brasil um país de mestiços. Cinquenta por cento, ou mais, de sua população é de origem africana. Por isso é que, mesmo mantendo por todo esse tempo sua verdadeira crença nos Orixás, foi preciso esconder suas práticas religiosas nos rituais cristãos. Nosso Calendário Litúrgico é cristão, então, São Jorge passou a ser Ogum; Nossa Senhora virou Iemanjá, Oxum e assim por diante, sempre ocultando dos brancos suas verdadeiras crenças pois sabiam que, se um dia conseguissem se libertar, só seriam aceitos de volta em sua terra se mantivessem seu próprio idioma, suas crenças, seus hábitos e costumes. Como parte dessa cultura religiosa IMPOSTA ficou para nós o já elaborado Calendário Cristão e, como ponto alto desse mesmo calendário, está a prática medieval de se observarem os quarenta dias de resguardo da Quaresma que antecedem a Sexta-Feira Santa e a Páscoa.
A princípio a igreja se mantinha de luto por quarenta dias, começando na Quarta-Feira de Cinzas. Os altares e as capelas menores eram cobertos com panos roxos (Nana?). Toda atividade artística alegre cessava e os Terreiros que funcionavam escondidos, temendo represálias por serem descobertos, cessavam suas atividades. Considerando que as atividades com os chamados Guias de Luz e com os Orixás estão paradas valem-se disso os que trabalham nas sombras, os espíritos dos malignos que aproveitam-se de estarem desprevenidos os homens bons para promoverem o mau.
A tradição de se fechar os Templos de Umbanda quando não havia liberdade de crença, não tem razão de ser no mundo atual. Muito ao contrário, é nessa época que NÃO DEVEMOS PARAR, é nessa época em que a quimbanda maligna trabalha à vontade, que o Templo deve estar preparado para, com o auxílio das Entidades de Luz, denunciar qualquer trabalho negativo que tenha sido feito para atrapalhar seus Filhos de Fé ou frequentadores. Atualmente, interromper os trabalhos do Templo na Quaresma é descabido, é ingenuidade, é desconhecer que os inimigos trabalham nas trevas e que, se não temos o Preto- Velho, o Caboclo ou qualquer entidade que possa nos avisar do mau feito, estaremos desprotegidos, descobertos, ou seja, nas mãos dos inimigos. É preciso URGENTEMENTE esclarecer que a Quaresma não é Afro, é hebraico-europeia, e que já não é preciso se esconder de ninguém, pois nossa Constituição nos assegura o direito à liberdade de crença e os padres já não podem mais nos queimar nas fogueiras da inquisição.
Por isso, vamos abrir nossos Templos de Umbanda na Quaresma e cuidar com amor dos nossos Filhos de Fé.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Desabafo
Sabe quando vem aquele desânimo, tristeza ou quando simplesmente achamos que nada vai dar certo? Aqueles momentos de incerteza, frustração e até mesmo de desespero. Momentos que nos tiram a paz ou roubam o nosso sorriso, alguns de nós preferem se isolar, fugir de tudo e de todos, outros se refugiam em coisas externas como bebidas, drogas, sexo, comida etc e etc. Outros ainda se sentem no direito de colocar toda a culpa em Deus, enfim cada um reage a esses momentos "infelizes"ou "desagradáveis" como bem entender.
Agora eu pergunto será que nós Umbandistas agimos certo reagindo escolhendo alguma das opções citadas acima? Bom, mas não somos de ferro,certo? Não temos a paciência de Jó, certo? Não somos perfeitos,certo? Certo, certo, certo. Tudo bem,devo concordar com todas essas racionalizações, mas nós Umbandistas, não somos filhos de qualquer um, certo? Oxalá é meu Pai. Somos gerados e nutridos no amor de Deus e dos Orixás, chamados e escolhidos para sermos representantes do reino de Oxalá na Terra.
Cada um de nós tem um Pai e uma Mãe de cabeça que nos rege, guia e protege 24 horas por dia desde quando viemos encarnar neste Planeta. Temos guias espirituais explêndidos, ao nosso lado, sempre prontos a nos mostrar o melhor caminho a seguir, NÓS,sim NÓS UMBANDISTAS, temos o privilégio de ouvir o estalar dos dedos de um Caboclo quando estar a nos dar um passe, de ouvir os conselhos sábios e tomar um cafézinho com nossos pretos velhos, brincar e se lambuzar de chocolate e refrigerante no chão com os benditos Erês, NÓS podemos dançar e rir da risada dos baianos, do jeito incrível dos marinheiros, NÓS temos a presença constante de Exus e Pombagiras nos auxiliando, quebrando demanda e fazendo-nos sentir parte de algo tão grande e lindo como a NOSSA UMBANDA.
Temos Pais e Mães de fé, irmãos de fé um Terreiro inteirinho para fazer caridade, amparar os que mais precisam, nossa QUANTA COISA.
Então se eu estava triste, desanimado, achando que nada iria dar certo, cheio de incertezas, frustrações e desespero, é bom eu me levantar daqui, vou ali acender uma vela, hoje é dia das almas e de Exu também, vou agradecer por ser UMBANDISTA, por ter mais razões para sorrir do para chorar, eu sei que há males que vem para o bem e eu também sei que não há dor que dure para sempre e o principal não estou mais sozinho.
Obrigado Olorun, Obrigado Oxalá, Oxóssi, Oxum, Iemanjá, Ogum, Xangô, Iansã, Valei-me Ogum 7 Espadas, SARAVÁ todos os Guias que trabalham na Lei de Umbanda, HOJE EU VOU agradecer, rir, amar e ser amado, ajudar, rezar, vou a um terreiro bater cabeça, enxugar as lágrimas e deixarei de dizer "DEUS olha o tamanho do meu problema" e direi "Problema olha o tamanho do meu DEUS"
Agora eu pergunto será que nós Umbandistas agimos certo reagindo escolhendo alguma das opções citadas acima? Bom, mas não somos de ferro,certo? Não temos a paciência de Jó, certo? Não somos perfeitos,certo? Certo, certo, certo. Tudo bem,devo concordar com todas essas racionalizações, mas nós Umbandistas, não somos filhos de qualquer um, certo? Oxalá é meu Pai. Somos gerados e nutridos no amor de Deus e dos Orixás, chamados e escolhidos para sermos representantes do reino de Oxalá na Terra.
Cada um de nós tem um Pai e uma Mãe de cabeça que nos rege, guia e protege 24 horas por dia desde quando viemos encarnar neste Planeta. Temos guias espirituais explêndidos, ao nosso lado, sempre prontos a nos mostrar o melhor caminho a seguir, NÓS,sim NÓS UMBANDISTAS, temos o privilégio de ouvir o estalar dos dedos de um Caboclo quando estar a nos dar um passe, de ouvir os conselhos sábios e tomar um cafézinho com nossos pretos velhos, brincar e se lambuzar de chocolate e refrigerante no chão com os benditos Erês, NÓS podemos dançar e rir da risada dos baianos, do jeito incrível dos marinheiros, NÓS temos a presença constante de Exus e Pombagiras nos auxiliando, quebrando demanda e fazendo-nos sentir parte de algo tão grande e lindo como a NOSSA UMBANDA.
Temos Pais e Mães de fé, irmãos de fé um Terreiro inteirinho para fazer caridade, amparar os que mais precisam, nossa QUANTA COISA.
Então se eu estava triste, desanimado, achando que nada iria dar certo, cheio de incertezas, frustrações e desespero, é bom eu me levantar daqui, vou ali acender uma vela, hoje é dia das almas e de Exu também, vou agradecer por ser UMBANDISTA, por ter mais razões para sorrir do para chorar, eu sei que há males que vem para o bem e eu também sei que não há dor que dure para sempre e o principal não estou mais sozinho.
Obrigado Olorun, Obrigado Oxalá, Oxóssi, Oxum, Iemanjá, Ogum, Xangô, Iansã, Valei-me Ogum 7 Espadas, SARAVÁ todos os Guias que trabalham na Lei de Umbanda, HOJE EU VOU agradecer, rir, amar e ser amado, ajudar, rezar, vou a um terreiro bater cabeça, enxugar as lágrimas e deixarei de dizer "DEUS olha o tamanho do meu problema" e direi "Problema olha o tamanho do meu DEUS"
sábado, 16 de abril de 2011
PRECE AO GRANDIOSO PAI OGUM
PRECE AO PODEROSO ORIXÁ OGUM
Pai, que minhas palavras e pensamentos cheguem até vós, em forma de prece, e que sejam ouvidas. Que esta prece corra mundo e universo, e chegue até os necessitados em forma de conforto para as suas dores. Que corra os quatro cantos da Terra e chegue aos ouvidos dos meus inimigos, em forma de brado de advertência de um filho de Ogum, que sou e nada temo, pois sei que a covardia não muda o destino. Ogum, padroeiro dos agricultores e lavradores, fazei com que minhas ações sejam sempre férteis como o trigo que cresce e alimenta a humanidade, nas suas ceias espirituais, para que todos saibam que sou teu filho. Ogum, senhor das estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho, que eu seja sempre um fiel caminheiro seguidor do teu exército, e que nas minhas caminhadas só haja vitórias. Que, mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja um vitorioso, pois nós, os vossos filhos conhecemos a luta, como esta que travo agora, embora sabendo que é só o começo, mas tendo o Senhor como meu pai, minha vitória será certa. Ogum, meu grande pai e protetor, fazei com que o meu dia de amanhã seja tão bom como o de ontem e hoje, que minhas estradas sejam sempre abertas, que eu trabalhe para que no meu jardim só haja flores, que meus pensamentos sejam sempre bons e que aqueles que me procuram consigam sempre remédios para seus males. Ogum, vencedor de demandas, que todos aqueles que cruzarem a minha estrada, cruzem com o propósito de engrandecer cada vez mais a Ordem dos Cavaleiros de Ogum. Pai, daí luz aos meus inimigos, pois eles me perseguem porque vivem nas trevas, e na realidade só perseguem a luz que vós me destes. Senhor, livrai-me das pragas, das doenças, das pestes, dos olhos-grandes, da inveja, das mentiras e da vaidade que só leva a destruição. E que todos aqueles que ouvirem esta prece, e também aqueles que a tiverem em seu poder, estejam livres das maldades do mundo.
Ogum Iê
Saravá Ogum.
Pai, que minhas palavras e pensamentos cheguem até vós, em forma de prece, e que sejam ouvidas. Que esta prece corra mundo e universo, e chegue até os necessitados em forma de conforto para as suas dores. Que corra os quatro cantos da Terra e chegue aos ouvidos dos meus inimigos, em forma de brado de advertência de um filho de Ogum, que sou e nada temo, pois sei que a covardia não muda o destino. Ogum, padroeiro dos agricultores e lavradores, fazei com que minhas ações sejam sempre férteis como o trigo que cresce e alimenta a humanidade, nas suas ceias espirituais, para que todos saibam que sou teu filho. Ogum, senhor das estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho, que eu seja sempre um fiel caminheiro seguidor do teu exército, e que nas minhas caminhadas só haja vitórias. Que, mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja um vitorioso, pois nós, os vossos filhos conhecemos a luta, como esta que travo agora, embora sabendo que é só o começo, mas tendo o Senhor como meu pai, minha vitória será certa. Ogum, meu grande pai e protetor, fazei com que o meu dia de amanhã seja tão bom como o de ontem e hoje, que minhas estradas sejam sempre abertas, que eu trabalhe para que no meu jardim só haja flores, que meus pensamentos sejam sempre bons e que aqueles que me procuram consigam sempre remédios para seus males. Ogum, vencedor de demandas, que todos aqueles que cruzarem a minha estrada, cruzem com o propósito de engrandecer cada vez mais a Ordem dos Cavaleiros de Ogum. Pai, daí luz aos meus inimigos, pois eles me perseguem porque vivem nas trevas, e na realidade só perseguem a luz que vós me destes. Senhor, livrai-me das pragas, das doenças, das pestes, dos olhos-grandes, da inveja, das mentiras e da vaidade que só leva a destruição. E que todos aqueles que ouvirem esta prece, e também aqueles que a tiverem em seu poder, estejam livres das maldades do mundo.
Ogum Iê
Saravá Ogum.
Tenho Certeza!
Olá! Remexendo nos meus rascunhos, encontrei este texto Me lembro ainda que alguns outros textos refletiam o que enxerguei com uma remexida interior, mas este em especial identifica-me num curso onde sigo já algum tempo. Amo a Umbanda, sinto profundo respeito por esta Escola da Vida que me acolheu e ergeu, mas vejo que esta mesma Senhora da Luz Velada me chama para levantar os véus da ilusão e do ego, das muletas com que nos agarramos durante a travessia da vida.
Religião só é boa quando aprendemos que ela é meio, nunca fim em si mesma.
Tenho certeza,
Para Deus...
Não faz diferença se somos Umbandistas ou não, só faz diferença o que vai em nossos corações...
Não faz diferença o que dizemos e sim o que sentimos e o que pensamos...
Não faz diferença quem tem mais conhecimento de quem tem menos conhecimento e sim como usamos nosso conhecimento...
Não faz diferença nenhuma se lutamos pela religião e sim se lutamos pelo ser humano, pois por lutar pela religião, pela "boa causa", é o que fizeram as guerras santas...
Não importa se conquistamos o que queremos e sim se alcançamos o que precisamos, pois o querer na maioria das vezes faz parte do ego...
De nada vale amar espiritos, orixás ou anjos se não somos capazes de amar o ser humano...
E eu como sou ser humano ainda, só posso me perguntar:
Que "defecação" é esta?
Hah me esqueci, estamos todos lutando pela umbanda e isto justifica a tudo, quando lutamos por uma religião podemos tudo, afinal, temos o aval de Deus e os fins justificam os meios...
Não somos muito diferentes (claro que falo de nós, pois, será que estaria eu fora desta questão, no entanto, melhor ser consciente que hipócrita), nos parecemos muito com o porteiro ou zelador (já que este é um termo mais apropriado aqui) que acredita ser o dono do prédio ou mesmo quando vamos a uma loja e os vendedores nos tratam como se fossem os donos do estabelecimento, no entanto se esquecem que o dono de tal estabelecimento faria de tudo para nos agradar, muito diferente de seus funcionários...
Pois então somos nós "funcionários" dos Orixás, trabalhando neste "edificio", nesta "obra", e tudo o que temos feito é nos julgar com os poderes do DONO da Casa (que é Deus"OXALA"), acreditamos piamente que Ele nos delegou seus poderes e que com tanto tempo de "casa" teremos o "uso capião" da "propriedade" do "Senhor"...
Assim somos nós, mas não se preocupem, não estou falando do umbandista (não apenas do umbandista) assim são a maioria dos religiosos e não importa qual a sua religião...
A maioria de nós procura religião porque temos problemas que não conseguimos administrar em nossas vidas, no entanto ao chegar na religião passamos a acreditar que podemos administrar a religião e até administrar os "negócios de Deus", somos os "empresários" e representantes de Deus na Terra, "Nós representamos os interesses de Deus na Terra", é... realmente somos privilegiados...
Mas que palavras serão estas, de uma pessoa revoltada?, de uma pessoa consciente? ou apenas de alguém que usa da situação e do dom das palavras para apenas chamar a atenção das pessoas???
Talvez esta seja a unica pergunta sem resposta pois a maioria dos senhores que estão lendo este texto nunca tiveram a oportunidade de olhar nos olhos deste ser humano que escreve estas linhas...
Uma coisa é certa não tenho condições de julgar a mim mesmo, não posso dizer quais são meus motivos reais e sabe porque? Simplesmente porque uma coisa é certa sou alguém que tenta evitar a hipocrisia, no entanto dizer que não sou hipócrita pode ser em si a própria hipocrisia que grita através de meu ego...
Talvez seja isso e talvez seja importante saber se cultuamos realmente a deus ou a nosso próprio ego, se adoramos o Ser Supremo ou a religião, se nos dedicamos ao ser humano ou ao templo...
Gandhi costumava dizer que se não conseguimos encontrar Deus no ser humano, não é mais preciso procurar...
Vivekananda e Ramakrisna ensinaram ao mundo que não importa qual é sua religião...
Lao Tsé nos ensinou que o Tao não é algo que se pode explicar...
Osho fala que doutrinas e religiões não importam...
São Francisco mostrou que humanismo está acima da religião...
O Sufi Inaat Kan mostra que podemos rezar a todos os deuses em todas as linguas...
Cabalistas reconhecem Deus em sua forma feminina como Shekná...
E nós, quais são nossos exemplos e valores?
O que importa para nós?
O que importa para Deus?
Religião?
Qual é a sua religião, a do homem ou a de Deus?
Quem está acima do altar, o ego?
CLAUDIO DO MEGÊ
Obs.: Quanto a "defecação", aos coliformes fecais, cada um pense o que quiser...
Paz e Luz!
Olá! Remexendo nos meus rascunhos, encontrei este texto Me lembro ainda que alguns outros textos refletiam o que enxerguei com uma remexida interior, mas este em especial identifica-me num curso onde sigo já algum tempo. Amo a Umbanda, sinto profundo respeito por esta Escola da Vida que me acolheu e ergeu, mas vejo que esta mesma Senhora da Luz Velada me chama para levantar os véus da ilusão e do ego, das muletas com que nos agarramos durante a travessia da vida.
Religião só é boa quando aprendemos que ela é meio, nunca fim em si mesma.
Tenho certeza,
Para Deus...
Não faz diferença se somos Umbandistas ou não, só faz diferença o que vai em nossos corações...
Não faz diferença o que dizemos e sim o que sentimos e o que pensamos...
Não faz diferença quem tem mais conhecimento de quem tem menos conhecimento e sim como usamos nosso conhecimento...
Não faz diferença nenhuma se lutamos pela religião e sim se lutamos pelo ser humano, pois por lutar pela religião, pela "boa causa", é o que fizeram as guerras santas...
Não importa se conquistamos o que queremos e sim se alcançamos o que precisamos, pois o querer na maioria das vezes faz parte do ego...
De nada vale amar espiritos, orixás ou anjos se não somos capazes de amar o ser humano...
E eu como sou ser humano ainda, só posso me perguntar:
Que "defecação" é esta?
Hah me esqueci, estamos todos lutando pela umbanda e isto justifica a tudo, quando lutamos por uma religião podemos tudo, afinal, temos o aval de Deus e os fins justificam os meios...
Não somos muito diferentes (claro que falo de nós, pois, será que estaria eu fora desta questão, no entanto, melhor ser consciente que hipócrita), nos parecemos muito com o porteiro ou zelador (já que este é um termo mais apropriado aqui) que acredita ser o dono do prédio ou mesmo quando vamos a uma loja e os vendedores nos tratam como se fossem os donos do estabelecimento, no entanto se esquecem que o dono de tal estabelecimento faria de tudo para nos agradar, muito diferente de seus funcionários...
Pois então somos nós "funcionários" dos Orixás, trabalhando neste "edificio", nesta "obra", e tudo o que temos feito é nos julgar com os poderes do DONO da Casa (que é Deus"OXALA"), acreditamos piamente que Ele nos delegou seus poderes e que com tanto tempo de "casa" teremos o "uso capião" da "propriedade" do "Senhor"...
Assim somos nós, mas não se preocupem, não estou falando do umbandista (não apenas do umbandista) assim são a maioria dos religiosos e não importa qual a sua religião...
A maioria de nós procura religião porque temos problemas que não conseguimos administrar em nossas vidas, no entanto ao chegar na religião passamos a acreditar que podemos administrar a religião e até administrar os "negócios de Deus", somos os "empresários" e representantes de Deus na Terra, "Nós representamos os interesses de Deus na Terra", é... realmente somos privilegiados...
Mas que palavras serão estas, de uma pessoa revoltada?, de uma pessoa consciente? ou apenas de alguém que usa da situação e do dom das palavras para apenas chamar a atenção das pessoas???
Talvez esta seja a unica pergunta sem resposta pois a maioria dos senhores que estão lendo este texto nunca tiveram a oportunidade de olhar nos olhos deste ser humano que escreve estas linhas...
Uma coisa é certa não tenho condições de julgar a mim mesmo, não posso dizer quais são meus motivos reais e sabe porque? Simplesmente porque uma coisa é certa sou alguém que tenta evitar a hipocrisia, no entanto dizer que não sou hipócrita pode ser em si a própria hipocrisia que grita através de meu ego...
Talvez seja isso e talvez seja importante saber se cultuamos realmente a deus ou a nosso próprio ego, se adoramos o Ser Supremo ou a religião, se nos dedicamos ao ser humano ou ao templo...
Gandhi costumava dizer que se não conseguimos encontrar Deus no ser humano, não é mais preciso procurar...
Vivekananda e Ramakrisna ensinaram ao mundo que não importa qual é sua religião...
Lao Tsé nos ensinou que o Tao não é algo que se pode explicar...
Osho fala que doutrinas e religiões não importam...
São Francisco mostrou que humanismo está acima da religião...
O Sufi Inaat Kan mostra que podemos rezar a todos os deuses em todas as linguas...
Cabalistas reconhecem Deus em sua forma feminina como Shekná...
E nós, quais são nossos exemplos e valores?
O que importa para nós?
O que importa para Deus?
Religião?
Qual é a sua religião, a do homem ou a de Deus?
Quem está acima do altar, o ego?
CLAUDIO DO MEGÊ
Obs.: Quanto a "defecação", aos coliformes fecais, cada um pense o que quiser...
Paz e Luz!
sexta-feira, 15 de abril de 2011
A ATUAÇÃO DOS ORIXÁS DE UMBANDA SAGRADA.
A ATUAÇÃO DOS ORIXÁS
Uma das maiores dificuldades das pessoas é o entendimento da ascendência dos orixás sobre suas vidas e nós temos insistido nos estágios da evolução que, se formam um continuam na vida dos seres, no entanto não se processam em uma mesma dimensão.
Se hoje somos espíritos, ontem éramos seres naturais e não precisávamos reencarnar para evoluir.
E anteontem éramos seres encantados da natureza, regidos por Orixás Encantados que direcionavam e monitoravam mentalmente nossa evolução.
Enfim, um ser não é um produto acabado quando é criado por Deus. E se nos permitem uma
comparação, no momento da nossa criação não éramos diferentes de um óvulo fecundado por um
sêmen, pois desta união surge uma vida, um indivíduo com uma herança genética que controlará sua formação celular, nervosa, óssea, etc., dotado de um cérebro que lhe facultará um aprendizado contínuo e uma capacidade de raciocinar já a partir de suas necessidades básicas.
Enquanto estamos protegidos no útero materno, somos o ser que está sendo gerado no íntimo de Deus.
Quando nascemos, o nosso cordão umbilical é cortado e só sobrevivemos porque temos no leite materno um composto energético que nos fornece todo alimento de que necessitamos para continuarmos vivos e bem alimentados.
O leite materno, comparativamente, é a energia elemental que dá sustentação energética aos seres recém-saídos do estágio original da evolução, que alguns chamam de estado virginal do espírito, onde ainda somos seres virginais porque não entramos em contato com nada do que existe fora do útero divino.
Nós, quando vivenciamos nosso estágio elemental da evolução, éramos totalmente inconscientes, como são todos os recém-nascidos, e não dispensávamos o amor, carinho e amparo materno, que recebíamos de nossas mães elementais.
Elas nos inundavam com suas irradiações de amor e de fé e formaram nossa natureza básica ou
elemental.
As mães elementais formam uma hierarquia divina venerada, adorada e respeitadíssima por todos os Orixás Encantados e naturais, que as tem na conta de mães divinas puras em todos os sentidos, pois são puras nos seus elementos e no amor que irradiam.
As mães ígneas irradiam energias elementais puras do fogo e vibram um amor que abrasa quem está em seu campo vibratório e sob suas irradiações.
E o mesmo acontece com as mães aquáticas, eólicas, telúricas, minerais, vegetais e cristalinas.
Aproximar-se de uma dessas mães é voltar à primeira infância num piscar de olhos, mesmo para um espírito tão velho quanto eu, Pai Benedito de Aruanda.
Já o segundo estágio de nossa evolução acontece quando o nosso corpo e natureza elemental já estão formados e aptos a absorverem energias mistas.
Automaticamente somos conduzidos aos jardins de infância dirigidos por nossas mães bí elementais, para absorvermos um segundo elemento e desenvolvermos nosso emocional ou pólo negativo.
Neste estágio dual ou bielemental da evolução, encontramos as nossas amadas mães mistas, tão
amorosas quanto as primeiras, mas atentas ao nosso crescimento e ao desenvolvimento de nossas faculdades elementares ou básicas, também conhecidas como “instintos básicos”.
Estas nossas amadas mães são conhecidas como: Yemanjás do ar, da terra, dos minerais, dos vegetais (isto mesmo) e dos cristais. Só não são Yemanjás do fogo, pois estes elementos não combinam com água, que é o elemento original delas. Mas nós as encontramos nas Oxuns do fogo e também nos outros elementos, mas não temos as mães Oxuns vegetais no nosso segundo estágio da evolução porque o elemento puro mineral e o vegetal não se combinam. Elas só surgirão em nossas vidas no nosso quarto estágio da evolução ou evolução natural, pois aí o mineral, o vegetal, a água, o ar e o fogo formarão um composto energético já assimilável pelos seres, muito mais desenvolvidos em todos os sentidos.
E assim, em nosso segundo estágio da evolução fomos amparados e instruídos por nossas amadas mães mistas ou bielementais, que também são amadas, veneradas e respeitadíssimas por todos os orixás.
Depois de desenvolvermos nossos instintos básicos e nosso emocional, somos conduzidos ao nosso
terceiro estagio da evolução, também conhecido como estágio encantado da evolução dos seres. E
quem nos acolheu no aconchego de seus amores maternos foram as nossas amadas e severas mães encantadas.
São severas porque sabem que os seres ainda guiados pelos instintos são semelhantes aos
adolescentes do plano material: são emocionais, instintivos, curiosos, inquiridores, um tanto cabeçasduras e impetuosos!
Ou encontram nas mães encantadas as mestras rigorosas, ou com toda certeza acabarão se
confundindo e trocando os pés pelas mãos, paralisando suas evoluções.
As nossas mães encantadas não são menos amorosas que as duas categorias anteriores, mas exigem uma obediência total, senão nos dão umas “palmadinhas” para nos recolocar na senda evolutiva.
Elas já são irradiadoras de, no mínimo, três elementos que formam uma quarta energia, que desperta os sentidos e a sensibilidade nos seres encantados. São tantas as mães encantadas que é impossível quantificar seu número. E todas são rigorosas, não importando de qual elemento original elas provenham.
Elas são mães e mestras e tanto nos amam quanto nos instruem. E não nos liberam para o quarto
estágio da evolução enquanto não tiverem plena certeza de que estamos aptos a vivenciá-lo. E mesmo depois de nos entregar aos cuidados de nossas mães naturais, continuam a vigiar-nos... e a aplicar corretivos se nos desviamos na nossa conduta pessoal ou do caminho que devemos trilhar.
De vez em quando, tem algum ser natural sendo chamado à razão por alguma delas. E até nós, os
espíritos reintegrados às hierarquias naturais, às vezes somos advertidos quanto ao nosso liberalismo humano.
Isto de alguns filhos de Santo dizerem que as mães encantadas são intolerantes com suas falhas
individuais e que os punem com severidade, bem... é verdade!
Com elas não tem a desculpa de que depois se conserta o que estragou ou depois se repara um erro.
Ou conserta e repara no ato ou... é posto de castigo e ajoelhado em cima de grãos de milho, certo?
Estas mães encantadas são sensíveis aos seus filhos e fazem de tudo para desenvolver neles os
sentidos que os guiarão pelo resto da vida, deixando de guiarem-se pelos instintos básicos.
Muitos encontram certa dificuldade em deixar de se guiar pelos instintos e acabam sendo recolhidos a faixas vibratórias especificas, onde esgotarão seus emocionais negativados, pois só depois disso desenvolverão a percepção e os sentidos se abrirão como canais mentais direcionadores de suas ações.
Só quando desenvolverem plenamente seus sentidos e a percepção, que é o recurso básico usado por seus filhos, é que as mães encantadas os encaminham às mães naturais, que os receberão e os sustentarão no quarto estagio da evolução que chamamos de estágio “natural” da evolução.
As mães naturais, ao contrário das mães encantadas, são mais liberais, ainda que mantenham o mesmo rigor e severidade.
Mas elas dão uma certa liberdade de ação aos seus filhos para que eles possam desenvolver a
consciência. Esse despertar da consciência implica assumir compromissos e sustentar iniciativas
guiadas pelos sentidos e pela consciência.
O mesmo acontece conosco, que viemos do terceiro estágio da evolução, quando também éramos seres encantados guiados pelos sentidos e pela percepção.
Paralelismo vibratório é um recurso maravilhoso de Deus, pois quando um ser não está evoluindo sob a regência de uma mãe natural, então ela o encaminha a outra faixa vibratória, onde outro elemento básico predomina. E nela o ser passará por uma acentuada aceleração ou desaceleração em sua vibração individual, sempre visando o melhor para ele, que tem de se conscientizar e assumir “conscientemente” a condução de sua vida, suas iniciativas e suas preferências pessoais.
A quarta faixa vibratória de todas as dimensões naturais, onde não acontece o ciclo encarnacionista, está, vibratoriamente, no mesmo nível terra da faixa humana onde os espíritos encarnados vivem e evoluem.
Nós somos espíritos porque, quando desenvolvemos nosso corpo percepcional e passamos a nos guiar pelos sentidos, fomos espiritualizados ou revestidos de um plasma cristalino que protege nosso corpo energético para que suportemos as irradiações energéticas que penetram na dimensão humana e a inundam dos mais variados tipos de energias.
Não nos perguntem porque Deus criou a dimensão humana, pois esta resposta só Ele pode dar. Mas nós raciocinamos e muitas hipóteses já foram aventadas. A que parece ser a mais lógica é a que indica que o espírito desenvolve, junto com o despertar da consciência, a criatividade. Se bem que, como aqui na dimensão humana tudo se desenvolve em dois sentidos, também desenvolvemos a ilusão.
E, enquanto a criatividade humana nos proporciona recursos adicionais à nossa evolução, a ilusão nos induz ao emocionalismo, ao retorno aos instintos básicos, à paralisação dos nossos sentidos e do nosso percepcional, à inconsciência e a quedas vibratórias acentuadas que nos afastam do convívio dos espíritos que nos são afins.
Os nossos irmãos naturais desenvolvem a consciência e apuram ainda mais seus percepcionais,
enquanto nós aperfeiçoamos nossa consciência e apuramos nosso raciocínio, pois a criatividade precisa de uma apuradíssima capacidade de raciocinar a partir de conceitos abstratos para que cheguemos às definições corretas que possibilitam a criação “concreta” de novos recursos que facilitarão nossa evolução.
Esta hipótese se mostra a mais lógica porque nós conhecemos as dimensões naturais e nelas não existe a criatividade humana, que transforma o meio onde vivemos, altera os nossos costumes, nossas culturas, nossos ideais... e até criamos religiões. Nas dimensões naturais não existem os nossos tão abstratos conceitos religiosos e nossas mirabolantes concepções sobre Deus.
O sentido da Fé vai conduzindo todos ao mesmo tempo, pois as vibrações dos orixás irradiadores de religiosidade são absorvidas por todos ao mesmo tempo. E quando um ser natural desenvolve o sentido da Fé até seu limite, assim como adquire a plena consciência, então se torna um irradiador natural da fé, semelhante ao seu orixá regente, que o amparou o tempo todo com suas intensas vibrações despertadoras dos sentimentos de amor, respeito e reverência para com o Divino Criador, e para com todas as criaturas, os seres e toda a criação divina.
Este processo evolutivo é contínuo e o chamamos de evolução natural. Porque o ser não tem sua
memória adormecida em momento algum, desde que saiu do útero divino que o gerou. Ele não teve de reencarnar seguidas vezes e não se esqueceu de nenhuma de suas vivenciaçoes, ocorridas nos três estágios anteriores da sua evolução.
E, se são semelhantes a nós já que o único diferenciador é o plasma cristalino que envolve nosso corpo energético, no entanto algo os distingue de nós, pois aos nossos olhos humanos eles são todos “iguais”. Eles não reencarnam e não são diferenciados pelo corpo carnal, como acontece conosco, os seres espiritualizados.
Sim, porque se nascermos chineses, nossos espíritos mostrarão os traços característicos desta raça. E se nascermos negros ou louros, o mesmo acontecerá, ainda que essa membrana plasmática cristalina possa ser alterada mentalmente por nós, que assumiremos a aparência que desejarmos se dominarmos esse processo de alteração de nosso corpo plasmático.
Os seres naturais não alteram suas aparências porque lhes falta este revestimento plasmático, e nem lhes ocorre assumirem outras aparências, pois consideram isto um recurso típico dos seres
espiritualizados, que recorrem às aparências porque procuram iludir-se, já que estão aparentando alguém que não foram ou são, ou já foram e não são mais.
E as aparências plasmadas não resistem à penetrante visão deles, que nos vêem através de nossos corpos energéticos, nunca através do nosso corpo plasmático. A eles falta a criatividade e a ilusão, que são faculdades tipicamente humanas, já que só se desenvolvem no estagio humano da evolução.
No aspecto religioso, eles nominam Deus de Divino Criador e Senhor da Luz da Vida, e quando O
invocam, fazem-no através de cantos mantrânicos, nunca num diálogo coloquial como nós fazemos.
Nós chamamos aos orixás por seus nomes humanos, tais como Ogum, Oxossi, Xangô, Yemanjá, etc.
Mas eles só se dirigem a eles através de seus nomes mantrânicos ou divinos, que é a mesma coisa.
Estes nomes são formados por sílabas e cada uma possui seu tom e sua fonética particular, formando um canto ou mantra.
Eles não procedem como nós, que a todo instante exclamamos: “Valei-me Deus!”, “Ajude-me, meu Pai Ogum!”, etc.
Muito antes de o código hebreu proibir o chamamento em vão do nome de Deus, os nossos irmãos naturais já tinham isto como regra de conduta. E a aplicam aos sagrados orixás, aos quais podem ver o tempo todo, estejam próximos ou distantes deles, bastando-lhes fixar suas visões no orixá que desejam focalizar visualmente.
Logo, não existe uma separação visual entre os nossos irmãos naturais e os seus regentes divinos, mesmo que estejam em outra dimensão.
Já o mesmo não ocorre conosco, os espíritos, pois a encarnação bloqueia nossa visão superior e o
adormecimento de nossa memória nos impede de nos lembrarmos das divindades naturais e de como focalizá-las visualmente e mentalizá-las vibratoriamente.
Por isto a realidade religiosa dos seres naturais é superior à nossa e dispensa as nossas concepções abstratas acerca de Deus, das divindades e de como atuam em nossas vidas.
Conosco, a religiosidade tem de ser estimulada verbalmente, senão nosso sentido da fé vai se
atrofiando. Já com eles, que absorvem as irradiações contínuas dos orixás irradiadores da fé e da
religiosidade, isto não acontece em momento algum.
Mas têm um problema comum conosco: às vezes caem vibratoriamente quando se entregam à
vivenciação de seus desejos, de seus instintos e de seus desequilíbrios emocionais. E não são pequenas essas quedas vibratórias. Quando caem vibratoriamente, afastam-se naturalmente do regente do nível onde se encontram e vão “descendo” a outros níveis, numa queda contínua que só termina quando chegam ao pólo magnético negativo da irradiação que os está sustentando.
Se um natural de Ogum começa a cair vibratoriamente por causa de uma das razões que citamos acima, dificilmente deixa de cair até o pólo magnético negativo da linha de forças irradiantes do mistério da Lei Divina.
E se, quando vivia sob a irradiação do pólo magnético positivo era irradiante e irradiador de vibrações ordenadoras e sustentadoras da ordem, no pólo magnético negativo torna-se absorvedor de energias
negativas e assume uma única cor, comum a todos os que estão sob a irradiação de um pólo magnético negativo.
Quando isto acontece, nós chamamos estes seres de seres negativados, pois são intolerantes,
irascíveis, violentos, perigosos, ensimesmados e refratários a qualquer contato.
Eles se isolam em si mesmos e se autopunem por terem falhado em alguns dos setes sentidos básicos.
Sentem-se indignos dos regentes irradiantes e fogem deles assim que percebem suas aproximações.
Muitos adentram nos níveis vibratórios afins da dimensão humana, no intuito de ocultarem-se da visão e da luz dos orixás.
Mas, por serem portadores de uma inocência natural, são presas fáceis dos “poderosos” espíritos caídos nas trevas humanas, que possuem seus sombrios domínios abarrotados de espíritos caídos, também por vivenciarem seus desejos, por desequilíbrios emocionais e por seus instintos básicos.
Estes poderosos espíritos caídos, os temidos “grandes das Trevas”, recorrem aos seus poderes mentais e suas faculdades ilusionistas e praticamente escravizam estes seres naturais, hipnotizando-os e livrando-os de suas culpas conscienciais, adormecendo no intimo deles os sentimentos de vergonha e o desejo de se auto-flagelarem.
Os grandes das Trevas acercam-se desses naturais caídos porque estes são leais, fieis, obedientes e submissos ao extremo. Além de serem irradiadores de energias negativas muito perigosas para os espíritos humanos, que somos nós.
Os grandes magos negros das trevas humanas os usam assiduamente para perseguirem seus desafetos encarnados ou retidos nos sombrios níveis vibratórios das faixas negativas da dimensão espiritual humana.
Na inocência natural deles está sua fraqueza, pois são iludidos com facilidade e lhes falta o recurso da criatividade humana para pensarem numa saída racional para o problema que criaram para si mesmos.
Os magos das trevas os induzem a crerem que os orixás luminosos não gostam mais deles e que os querem longe de seus domínios naturais, despertando neles uma ojeriza à luz e a todos que vivam nas faixas vibratórias luminosas.
O fato é que, quando alguém, seja um ser natural ou um espírito humano, é portador natural de um mistério, os seres elementares, os encantados e os naturais vêem o grau e o mistério no seu portador e o tratam com respeito e reverência e aproxima-se dele para absorverem as suas irradiações naturais, que contêm as vibrações divinas do mistério que se manifesta através dele e flui junto com suas irradiações.
Se assim procedem é porque, passando a absorver as irradiações do mistério, chegará um tempo em que também eles se tornarão irradiadores do mistério que os irradiou e sustentou.
Se existem mistérios humanos?
- Sim, existem os mistérios humanos, irmãos amados!
Nossa criatividade é um deles e tem nos ajudado a superar obstáculos gigantescos em nossa evolução segmentada, pois ora estamos vivendo no plano material, ora no plano espiritual.
Um outro mistério humano é a faculdade de desenvolvermos mais de um mistério natural em nós mesmos. Sim, os seres naturais e os encantados só irradiam a partir de si mesmos um mistério, seja ele de natureza positiva ou negativa.
Mas nós, espíritos humanos, podemos irradiar quantos desejarmos e formos capazes de desenvolver em nosso íntimo, até um ponto em que passamos a irradiá-los naturalmente, desde que nos coloquemos em sintonia vibratória com as divindades irradiadoras deles.
Querem um exemplo simples acerca do que estamos comentando? Ei-lo:
Um médium de Umbanda “lida” com vários orixás ao mesmo tempo durante seus trabalhos magísticos.
Num instante ele ativa o mistério de um para, no instante seguinte, ativar o de outro, já afim com sua nova necessidade. Durante o decorrer de uma engira, vários orixás são invocados e os médiuns vão assimilando suas irradiações, tornando-se irradiadores das energias deles.
E se invocam Exu, no mesmo instante Exu se manifesta e os médiuns passam a irradiar suas energias.
Essa capacidade humana de lidar com mistérios distintos e ao mesmo tempo só nós, os seres
espiritualizados, possuímos, já que os seres encantados ou naturais de Ogum, por exemplo, só irradiam qualidades de Ogum, e o tempo todo.
Um encantado ou natural de Oxóssi só irradia qualidades de Oxóssi, o tempo todo. Uma encantada ou natural de Yemanjá só irradia qualidades de Yemanjá, o tempo todo. Uma encantada ou natural de Oxum só irradia qualidades de Oxum, o tempo todo.
Por qualidades entendam mistérios e energias!
Já nós, os espíritos humanos, bem, ora estamos irradiando Ogum, ou Oxóssi ou Xangô, ora estamos irradiando Yemanjá, Oxum, Iansã, etc.
Por que esta diferente capacitação? O que é que nos faculta irradiarmos ora um e ora outro orixá? O que é que nos diferencia de nossos irmãos encantados ou naturais, que só conseguem irradiar um orixá apenas?
Bom, esta diferenciação acontece porque um encantado ou natural de Ogum é o que é: Um Ogum
individualizado em si mesmo mas regido o tempo todo pelo mistério Ogum, do qual não consegue se afastar, desligar ou deixar de irradiar o tempo todo.
Um ser natural Ogum é um Ogum em si mesmo e irradia Ogum o tempo todo, nunca se dissociando de seu regente divino. E o mesmo acontece com todos os seres elementais, encantados e naturais regidos
pelos outros orixás.
Já o mesmo não acontece com um espírito ou ser humano, pois o simples fato de viver e evoluir na dimensão humana já lhe faculta a possibilidade única de desenvolver a bipolaridade magnética, vibratória e irradiadora ou absorvedora de mistérios.
Um espírito humano tem uma direita e uma esquerda, um alto e um embaixo, aos quais manipula segundo suas afinidades ou necessidades.
Um espírito pode ter no alto o orixá Oxalá, no embaixo o orixá Omulú, na direita a orixá Yemanjá e na esquerda a orixá Iansã, e pode absorver as irradiações dos quatro, que não deixará de ser o que é: um espírito humano!
Já um nosso irmão encantado ou natural, bom, ele só absorve as irradiações de um desses quatro orixás ou entra em desequilíbrio magnético, vibratório e energético e fica confuso e desequilibrado emocionalmente. E cai! Istoé um dos muitos mistérios humanos, filhos de Fé nos orixás!
O estágio humano da evolução não é superior a nenhum outro. Mas que possui seus mistérios, isto ele possui! E quando um espírito humano desenvolve-se consciencialmente e adquire controle sobre seu emocional, logo é atraído pelas hierarquias naturais regidas pelos orixás que assentam à direita ou à esquerda e o tornam irradiador de suas energias e mistérios.
Eu mesmo, Benedito de Aruanda, acho que já me assentei à direita ou à esquerda de todos os
senhores(as) Orixás Intermediários naturais e junto de muitos dos senhores(as) Orixás Intermediários encantados, assim como já fui assentado à direita de alguns(as) Orixás Elementais.
A todos sirvo com fé, amor e profundo respeito, pois entendi que eles formam a imutável e inquebrável hierarquia divina do Divino Olorum, que é o nosso Divino Criador.
Este servir é irradiar individualmente, e segundo minha limitada capacidade, alguns dos mistérios que eles irradiam a todos, o tempo todo e de forma multidimensional, pois cada um possui uma irradiação
vertical e outra horizontal, formando a quadratura do círculo onde estão assentados, pois são “Tronos Divinos”.
Eu, se vos falo dos senhores orixás com tanta naturalidade e conhecimento, é porque dentro dos meus limites humanos e deles recebi a orientação de ensina-los aos seus filhos que foram espiritualizados, mas continuam a ser o que nunca deixarão de ser: filhos de orixás.
Sim, todos são filhos de orixás, mas só os que desenvolvem os mistérios humanos (os seres
espiritualizados) conseguem faze-lo sem grandes dificuldades. Se bem que “alguns” acabam
estacionando por muito tempo nas zonas sombrias da dimensão espiritual humana.
Mas isto também acontece nas dimensões naturais regidas pelos orixás, ainda que não chamem o lado escuro delas de inferno ou umbral, pois lá o nome destas zonas sóbrias é este: pólos negativos!
Sim, os orixás regentes dos pólos negativos sustentam os seres encantados ou naturais que, por alguma razão, falharam em suas evoluções e tiveram de ser afastados do convívio com os que evoluíam equilibradamente. Eles estacionam nos níveis vibratórios negativos até que possam retomar, já equilibrados, suas evoluções naturais, pois eles não reencarnam e não tem suas memórias adormecidas, como acontece conosco sempre que reencarnamos para superar obstáculos que nos desequilibraram intensamente. Eles não saem da irradiação do seu regente natural. Assim, um encantado de Ogum, se vier a se desequilibrar durante seu estágio encantado da evolução, não sairá da dimensão regida pelo Orixá Ogum. Apenas será atraído pelo pólo magnético negativo que nela existe e, amparado por um orixá Ogum cósmico, mas de nível intermediário, nele estacionará até que tenha superado o desequilíbrio que o negativou magneticamente. É um processo seguro, mas lento, de reequilibrá-lo emocionalmente.
Já o mesmo não acontece nas zonas sombrias da dimensão humana. Nelas sempre tem um “espertinho”
para recepcionar os espíritos negativados que sempre está pronto e disposto a aproveitar-se deles que, se já estão desequilibrados, muito pior ficarão após suas quedas vertiginosas.
As zonas sombrias humanas são como as prisões do plano material: alguém atropela alguém com seu veículo. Se for condenado à prisão, vai conviver com assaltantes, estupradores, assassinos frios e calculistas. Quando sair da prisão, terá feito um estagio completo no mundo da criminalidade, e com certeza recorrerá aos seus novos “conhecimentos” assim que se ver em dificuldades.
Já o mesmo não acontece nas dimensões naturais. Nelas não se misturam, de forma alguma, seres com desequilíbrios diferentes. Quem se desequilibrou num sentido não entra em contato com quem se desequilibrou em outro.
Se um encantado viciou-se nas coisas do sexo, ele irá a um pólo magnético que só atrai encantados desequilibrados por vícios sexuais. Se um encantado tornou-se violento e gosta de agredir outros encantados, imediatamente é atraído para um pólo magnético que só atrai encantados violentos e agressivos... que o agredirão.
A frase: “Os semelhantes se atraem!” se aplica com toda propriedade às dimensões naturais e
parcialmente à dimensão humana, já que aqui outros fatores ponderáveis influenciam as atrações.
Aqui, um assassino frio sente-se atraído sexualmente por uma mulher virtuosa, principalmente se ela for bonita, e não se incomoda de matar por ela, ou até de matá-la, se não for correspondido ou se ela não se submeter aos seus desejos imundos. Já nas dimensões naturais, se algum encantado desequilibrou-se e tornou-se violento, ele não sentirá atração sexual por ninguém, mesmo pela mais bela e atraente das encantadas.
O desequilíbrio não se generaliza ou alcança outros sentidos e, muito ao contrário, até os anula, pois o ser passa a viver intensamente o seu desequilíbrio e fecha-se em si mesmo, não suportando o contato com outros encantados.
É quase que um “autismo”, onde cada um vive seu mundo pessoal e só sai dele em casos extremos.. ou após esgotar seu negativismo energético e as causas do desequilíbrio emocional que o tornou magneticamente atrativo pelos pólos negativos da dimensão onde vive e evolui.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
As 7 Lágimas de um Preto Velho
AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO
Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as... Foram sete.
Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?
E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.
A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...
A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.
A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a UMBANDA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.
A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.
A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.
A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.
A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas.
Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.
Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma
AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO-VELHO.
agradecimentos
agradeço a tds que fizeram este nosso blog alcançar essas metas
é um sonho se realizando
levando ao mundo inteiro a bandeira de oxala
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sábado, 9 de abril de 2011
QUIMBANDA
Quimbanda - Linha da Esquerda
Acho estranho que muita gente prefira acreditar que Exu é o diabo, do que crer na simplicidade de uma entidade boa e comum. Talvez seja a estranha força da imagem em gesso do Exu.
Um grande problema para a desmistificação da Umbanda é a colocação correta da Quimbanda e de seus espíritos, os Exus e as Pombas Gira. Tem gente que diz que o Exu é o Diabo. Essa estúpida assertiva, muitas vezes até cometida por umbandistas, tem custado muito para nossa religião. Em todos os momentos que falamos da Umbanda não dispensamos a ladainha que a Umbanda é nova, não tem – e espero que nunca tenha, nenhuma codificação e nenhuma regra existente para diferenciar o certo do errado. Errado na Umbanda só o que fere a moral, o bom senso, a ética ou a cultura. Por isso divulgamos o entendimento do Terreiro Pai Maneco sobre este tema.
O exu não é o agente do mal. Ele é a entidade polêmica, misteriosa e distorcida da umbanda. Sua imagem, na crença popular, é uma figura demoníaca, moldada em gesso de cor vermelha, algumas ainda possuindo chifres e pés de animal. Absurdamente, é assim que ele é cultuado, inclusive, confesso, em nosso terreiro, muito embora saibamos que estamos fazendo parte desta massa ignorante. Mas a força da nossa intenção transforma essas imagens em elementos de ligação com esse mundo maravilhoso – dos Exus.
Acho estranho que muita gente prefira acreditar que Exu é o diabo, do que crer na simplicidade de uma entidade boa e comum. Talvez seja a estranha força da imagem em gesso do Exu. Será que por trás dessas figuras mal feitas e de péssimo gosto artístico não existe um engodo espiritual para esconder suas verdadeiras identidades? Vamos analisar e tentar descobrir pelo raciocínio inteligente quem eles são.
A umbanda é brasileira, baseada em fatos e personagens na época do descobrimento, tendo nos caboclos, nossos ameríndios, a figura mandante, seguido do preto-velho, simbolismo da raça africana escravizada pelos europeus e as crianças que são os espíritos de qualquer nacionalidade que tenham desencarnado na idade da inocência. Fecha-se o Triângulo da Umbanda: Caboclos, Pretos e Crianças. Sabendo serem essas as entidades que compõem a Umbanda, não resta para a Quimbanda, outro tipo de espírito senão os originários da Europa, no caso os nobres, príncipes, lordes, almirantes, eclesiásticos, figuras letradas e culturalmente avançados.
Isso aconteceu através da evolução dessas almas pela reencarnação. Se os europeus invadiram nosso país, mataram nossos índios, escravizaram os africanos e cometeram toda espécie de mal, dentro de seus resgates cármicos podem, espontaneamente, terem aceitado a situação de serviçais àqueles que, em vidas anteriores, foram seus carrascos. A lógica desse argumento baseia-se no fato que seria estranho e de difícil aceitação um príncipe apresentar-se em um terreiro de umbanda, carregando um tridente, afirmar estar morando no cemitério, aceitar farofa, azeite de dendê, charuto e cachaça como oferenda, e ainda receber ordens de um índio ou de um escravo. O melhor é se esconder atrás de um comportamento atípico às suas nobres origens.
Os Exus têm histórias muito bonitas, interessantes e que vale a pena conhecê-las.
Exu Morcego
Em um castelo, inteiramente de pedra, mal cuidado e isolado no meio de uma floresta, típico daqueles pertencentes ao feudo europeu, vivia um homem branco e corpulento, trajando uma surrada roupa, provavelmente antes pertencente a um guarda-roupa fino. Percebia-se o desgaste causado pelo passar do tempo, pois ainda carregava uma grossa e rica corrente de ouro de bom quilate, com um enorme crucifixo do mesmo cobiçado material. Parecia viver na solidão, muito embora no castelo vivessem vários serviçais. Na torre do castelo, as janelas foram fechadas com pedra, e só pequenas frestas foram feitas no alto das paredes.
A luz não podia entrar. A torre não tinha paredes internas, formando uma enorme sala, com pesada mesa de madeira tosca, tendo como iluminação dois castiçais de uma só vela cada. Ao lado da tênue luz das velas, livros se espalhavam sobre a mesa, mostrando ser aquele homem um estudioso e que algo buscava na literatura. De braços abertos, com um capuz preto cobrindo sua cabeça, emitia estranhos e finos sons, tentando descobrir o segredo da levitação. Pelas frestas da torre, entravam e saiam voando vários morcegos com os quais ele procurava inspiração e força para atingir sua conquista. Por quê? Não sabemos. A idéia e as razões eram só da estranha figura. Parecia um homem de fino trato, transfigurado na fixação de atingir um poder que não lhe pertencia. Seu nome? Também não sabemos. Só o conhecemos incorporado nos terreiros como o querido, mas temido, Exu Morcego.
Exu Pantera
O Exu Pantera é uma surpresa. Seu nome dá a entender ser um espírito violento, bravo, mas ao contrário, apresenta-se com muita elegância, com charme e um bom palavreado. Ele contou sua história: afirmou ser europeu, e grande admirador da pantera, para ele, um animal esperto, ágil, e o mais elegante de todos. Veio ao Brasil para resgatar seu carma, agrupando-se à umbanda, especificamente à quimbanda e como tem uma relação direta com o Caboclo da Pantera, não teve nenhuma dúvida em usar o nome do lindo felino. Daí seu nome: Exu Pantera.
Exu João Caveira
O Exu João Caveira contou uma vida passada. Disse que na Idade Média, foi um fiel conselheiro de um senhor feudal. Criada uma situação no feudo de difícil solução, foi solicitada sua opinião para decidir a questão. Se decidisse de uma forma, agradaria todos os senhores, e de outra, faria justiça a todos os moradores desafortunados do lugar. Para ganhar a simpatia do lado forte, decidiu pela primeira hipótese, mesmo contrariando a sua vontade, que em nenhum momento expressou. Por causa disso, ganhou um carma enorme, que está resgatando nos terreiros da Umbanda.
Exu do Fogo
O Exu do Fogo contou uma história interessante. Disse que através do fogo executa seus trabalhos de caridade, por ter ele, no tempo da Inquisição, condenado várias pessoas para serem queimadas em fogueiras com a pecha de bruxos. Hoje ele se considera um bruxo e através do elemento fogo, tenta resgatar os males que carrega em seu carma. E vale a pena ver a habilidade deste Exu manipulando o fogo.
Exu 7 da Lira
O Exu 7 da Lira, segundo a unanimidade dos terreiros afirma, foi o grande cantor brasileiro. De certa forma, foi sinalizada alguma coisa em nosso terreiro, pelo ponto que ele mesmo ditou:
Sou Exu, trabalho no canto
Quando canto desmancho quebranto
Sete cordas tem minha viola
Vou na gira de elenco e cartola
Viola é o tridente
Cigarro é o charuto
Bebida é o marafo
Sou Sete da Lira
Derrubo inimigo
Ponteiro de aço
Interessante texto do saudoso Pai de Santo Andir de Souza:
“Falar de exu não é uma fácil tarefa, porém, inquirir, pesquisar, procurar sua origem e sua finalidade é o direito de quem quer aprender. Há uma nuvem cobrindo a distância do seu princípio até nossos dias. Nesta caminhada lenta da humanidade ganhastes muitas formas e fostes batizados com inúmeros nomes: no Jardim do Éden, eras uma serpente que introduziu o primeiro pecado no seio da humanidade; eras o agente mas não o mal, pois o livre arbítrio nos dá o direito de optar. De Adão e Eva proliferou a humanidade e, com ela, os seus deuses, seu medo e sua curiosidade.
Ah! meu irmão de longa caminhada...
Para Moysés você foi a bengala que apoiava o corpo nas fatídicas andanças mas, se necessário, você seria também a assustadora serpente. Para os fenícios, você foi Molock, espírito tenebroso, cujo interior era uma fornalha ardente onde os seus seguidores depositavam suas oferendas; para a Pérsia de Zoroastro, atendias pelo nome de Arimânio, espírito angustiado e vingador!...para o egípcio, você era Duet, uma guardião que castigava, que punia para, depois de punido, ser entregue para o Deus da Luz e Serenidade; você era a ligação entre o homem e a mente, a morada de Osíris que é o Deus do amor e da criação. No Egito, você também era Tifon ou Aprites; a China milenar te deu o nome de Digin; Ravana para o hindu; os escandinavos de chamavam Azalock. Em cada povo uma personalidade e uma vibração diferente. Para o nosso índio brasileiro, você atendia por vários nomes e várias atuações: Cairé é um fantasma que aparece na lua cheia para punir os maus; Catiti é outro, só visível na lua nova e atrapalha a pesca. Jurupari é o mau espírito que traz pesadelo; Curuganga oficia como assombração.
Até então, você com múltiplas funções e personalidades, não era mais que uma energia, uma força. Até 1984 anos atrás, você era visto e sincretizado como guerreiro, como um homem. Para o mau artista, uma grotesca obra.
O hebreu te deu novas formas e, na pia batismal, recebestes os nomes: diabo, demônio, Lúcifer. Pelo pincel do pintor ou o formão do escultor, na metamorfose dos interesses de uma religião que amedronta e não esclarece, te fizeram um monstro... Como monstro, você defendia com maior eficácia os interesses econômicos de seu criador. Causa-nos revolta vê-lo assim desfigurado!
A infâmia e o mau gosto do artista que te fez um agregado de homem e animal, com longos cornos e pés caprinos, é uma afronta ao próprio Criador!
Ah! meu amigo... A tua imagem hoje, nada mais é que o reflexo, a exteriorização de consciências mal forjadas.
São dois mil anos que o padre vem te projetando, programando o subconsciente da pobre humanidade. Ele afirmou que exu era o diabo e assim se propagou, assim ficou... Nós só conhecíamos o catolicismo como religião dominante. O padre era sábio, o doutor, o mentor enfim... e ficaria assim se ao lado da religião não existisse a história.
O diabo é um rival de Deus, um anjo re bel de, Satanás e falsário que tentou Eva e perdeu Adão. Tentou Caim e promoveu o assassinato de A bel ; tentou Jesus, no monte e levou Judas à traição, Jesus não cedeu à sua tentação, prova eloqüente do direito de optar; respeito sagrado ao livre arbítrio do homem.
Forçam-nos a pensar que você é o executor porém, não é a causa nem efeito; é sim um elemento, uma vibração, que serve de acordo com a vontade do pedinte ou a licença do patrão. Será isso ou não?... Sabemos que o índio e o negro não conheciam um rival de Deus. Não há um concorrente das Leis Divinas!... um diabo, um Satanás... há sim, uma corte de seres inferiores que, por isso mesmo, estão a serviço de seres superiores, aos quais obedecem e servem sem contestar.
Na magia do negro, Exu é um Deva, um Orixá... é um mensageiro, o guarda, o policial, o moço de recado que vive na rua, orientando, servindo de intermediário entre o Orixá e o homem.
Entendemos que o diabo nos ludibriou!...
O negro não sabia que era o diabo, sabê-lo-ia o bugre dispondo de uma mitologia inferior?... Não tinham uma noção semelhante. O bugre conhecia o Caissoré, Curupira, Curuganga, Anhangá, entidades que se tornam pesadelos, que dão maus sonhos e que estorvam a pesca e a caça, contudo, o homem pode amansá-los, dando-lhes pequenas oferendas. Quem ameaçaria o diabo?... Este pretenso rei será tão porco, tão mesquinho que se venda por alguns bicos de vela? Será isso um rival de Deus?... Um diabo, um Satanás?...
O bugre e o negro não conheciam esta figura hebraica, pregada e propagada aos quatro cantos do mundo pelos padres e seus discípulos.
O negro não servia a interesses financeiros; perante Deus não existe rival. ELE é a Criação, o Princípio e o Fim! Para cada elemento ELE criou uma força dominante, um encarregado, um guardião, um Orixá que rege o plano Cósmico mas, criou também, o intermediário, o EXU, o Deva, o Orixá Menor, que atua em harmonia com seu gerente ou seja, o Orixá.
Lá no alto está a Energia Cósmica, Oxalá, Iemanjá, Ogum, Oxóssi e outros; no plano intermediário, Exu-Tameta, Exu da Rua, Exu-Odé, da encruzilhada, Exu-Adé, do chão, Exu-Ibanan, dos montes, Exu-Itatá, das pedras, Exu-Ibê, do terreiro, Exu-Gelu, das estradas longas, Exu-Baru, do escuro, Exu-Bara, este, puramente africano.
Senhores, a minha dissertação talvez não seja erudita... tão inteligente... porém, é honesta e eu afirmo: aquele grupo de demônios avermelhados, guampudos, com pés caprinos e barbas em pontas, olhos saltados, dentre agressivos... não é EXÚ!
Aquilo é uma concepção primária, falsa, mórbida, velhaca, indecente, ridícula!... É uma agressão à nossa inteligência; uma infâmia, um disparate, uma ofensa ao Divino Criador! Não podemos aceitar essa assimilação!
Este demônio hebreu não é o Plutão do grego, não é o Tifon do egípcio, não é o Arimam do babilônio, não é o Digin do chinês, não é o Ravana do hindu, não é o Bará do negro, não é o Caissoré do bugre.
Este demônio bestificado não faz parte deste Panteon!
Por Deus, não é nada disso!...só pode ser fruto do interesse econômico de escritores mal informados, sem decência ou respeito pelo belo.
Aqui dou meus aplausos àqueles escritores que tiveram a honradez de procurar um novo sincretismo, tentando introduzir uma imagem condizente com o altruístico trabalho desses incansáveis irmãos EXÚS.
Acho estranho que muita gente prefira acreditar que Exu é o diabo, do que crer na simplicidade de uma entidade boa e comum. Talvez seja a estranha força da imagem em gesso do Exu.
Um grande problema para a desmistificação da Umbanda é a colocação correta da Quimbanda e de seus espíritos, os Exus e as Pombas Gira. Tem gente que diz que o Exu é o Diabo. Essa estúpida assertiva, muitas vezes até cometida por umbandistas, tem custado muito para nossa religião. Em todos os momentos que falamos da Umbanda não dispensamos a ladainha que a Umbanda é nova, não tem – e espero que nunca tenha, nenhuma codificação e nenhuma regra existente para diferenciar o certo do errado. Errado na Umbanda só o que fere a moral, o bom senso, a ética ou a cultura. Por isso divulgamos o entendimento do Terreiro Pai Maneco sobre este tema.
O exu não é o agente do mal. Ele é a entidade polêmica, misteriosa e distorcida da umbanda. Sua imagem, na crença popular, é uma figura demoníaca, moldada em gesso de cor vermelha, algumas ainda possuindo chifres e pés de animal. Absurdamente, é assim que ele é cultuado, inclusive, confesso, em nosso terreiro, muito embora saibamos que estamos fazendo parte desta massa ignorante. Mas a força da nossa intenção transforma essas imagens em elementos de ligação com esse mundo maravilhoso – dos Exus.
Acho estranho que muita gente prefira acreditar que Exu é o diabo, do que crer na simplicidade de uma entidade boa e comum. Talvez seja a estranha força da imagem em gesso do Exu. Será que por trás dessas figuras mal feitas e de péssimo gosto artístico não existe um engodo espiritual para esconder suas verdadeiras identidades? Vamos analisar e tentar descobrir pelo raciocínio inteligente quem eles são.
A umbanda é brasileira, baseada em fatos e personagens na época do descobrimento, tendo nos caboclos, nossos ameríndios, a figura mandante, seguido do preto-velho, simbolismo da raça africana escravizada pelos europeus e as crianças que são os espíritos de qualquer nacionalidade que tenham desencarnado na idade da inocência. Fecha-se o Triângulo da Umbanda: Caboclos, Pretos e Crianças. Sabendo serem essas as entidades que compõem a Umbanda, não resta para a Quimbanda, outro tipo de espírito senão os originários da Europa, no caso os nobres, príncipes, lordes, almirantes, eclesiásticos, figuras letradas e culturalmente avançados.
Isso aconteceu através da evolução dessas almas pela reencarnação. Se os europeus invadiram nosso país, mataram nossos índios, escravizaram os africanos e cometeram toda espécie de mal, dentro de seus resgates cármicos podem, espontaneamente, terem aceitado a situação de serviçais àqueles que, em vidas anteriores, foram seus carrascos. A lógica desse argumento baseia-se no fato que seria estranho e de difícil aceitação um príncipe apresentar-se em um terreiro de umbanda, carregando um tridente, afirmar estar morando no cemitério, aceitar farofa, azeite de dendê, charuto e cachaça como oferenda, e ainda receber ordens de um índio ou de um escravo. O melhor é se esconder atrás de um comportamento atípico às suas nobres origens.
Os Exus têm histórias muito bonitas, interessantes e que vale a pena conhecê-las.
Exu Morcego
Em um castelo, inteiramente de pedra, mal cuidado e isolado no meio de uma floresta, típico daqueles pertencentes ao feudo europeu, vivia um homem branco e corpulento, trajando uma surrada roupa, provavelmente antes pertencente a um guarda-roupa fino. Percebia-se o desgaste causado pelo passar do tempo, pois ainda carregava uma grossa e rica corrente de ouro de bom quilate, com um enorme crucifixo do mesmo cobiçado material. Parecia viver na solidão, muito embora no castelo vivessem vários serviçais. Na torre do castelo, as janelas foram fechadas com pedra, e só pequenas frestas foram feitas no alto das paredes.
A luz não podia entrar. A torre não tinha paredes internas, formando uma enorme sala, com pesada mesa de madeira tosca, tendo como iluminação dois castiçais de uma só vela cada. Ao lado da tênue luz das velas, livros se espalhavam sobre a mesa, mostrando ser aquele homem um estudioso e que algo buscava na literatura. De braços abertos, com um capuz preto cobrindo sua cabeça, emitia estranhos e finos sons, tentando descobrir o segredo da levitação. Pelas frestas da torre, entravam e saiam voando vários morcegos com os quais ele procurava inspiração e força para atingir sua conquista. Por quê? Não sabemos. A idéia e as razões eram só da estranha figura. Parecia um homem de fino trato, transfigurado na fixação de atingir um poder que não lhe pertencia. Seu nome? Também não sabemos. Só o conhecemos incorporado nos terreiros como o querido, mas temido, Exu Morcego.
Exu Pantera
O Exu Pantera é uma surpresa. Seu nome dá a entender ser um espírito violento, bravo, mas ao contrário, apresenta-se com muita elegância, com charme e um bom palavreado. Ele contou sua história: afirmou ser europeu, e grande admirador da pantera, para ele, um animal esperto, ágil, e o mais elegante de todos. Veio ao Brasil para resgatar seu carma, agrupando-se à umbanda, especificamente à quimbanda e como tem uma relação direta com o Caboclo da Pantera, não teve nenhuma dúvida em usar o nome do lindo felino. Daí seu nome: Exu Pantera.
Exu João Caveira
O Exu João Caveira contou uma vida passada. Disse que na Idade Média, foi um fiel conselheiro de um senhor feudal. Criada uma situação no feudo de difícil solução, foi solicitada sua opinião para decidir a questão. Se decidisse de uma forma, agradaria todos os senhores, e de outra, faria justiça a todos os moradores desafortunados do lugar. Para ganhar a simpatia do lado forte, decidiu pela primeira hipótese, mesmo contrariando a sua vontade, que em nenhum momento expressou. Por causa disso, ganhou um carma enorme, que está resgatando nos terreiros da Umbanda.
Exu do Fogo
O Exu do Fogo contou uma história interessante. Disse que através do fogo executa seus trabalhos de caridade, por ter ele, no tempo da Inquisição, condenado várias pessoas para serem queimadas em fogueiras com a pecha de bruxos. Hoje ele se considera um bruxo e através do elemento fogo, tenta resgatar os males que carrega em seu carma. E vale a pena ver a habilidade deste Exu manipulando o fogo.
Exu 7 da Lira
O Exu 7 da Lira, segundo a unanimidade dos terreiros afirma, foi o grande cantor brasileiro. De certa forma, foi sinalizada alguma coisa em nosso terreiro, pelo ponto que ele mesmo ditou:
Sou Exu, trabalho no canto
Quando canto desmancho quebranto
Sete cordas tem minha viola
Vou na gira de elenco e cartola
Viola é o tridente
Cigarro é o charuto
Bebida é o marafo
Sou Sete da Lira
Derrubo inimigo
Ponteiro de aço
Interessante texto do saudoso Pai de Santo Andir de Souza:
“Falar de exu não é uma fácil tarefa, porém, inquirir, pesquisar, procurar sua origem e sua finalidade é o direito de quem quer aprender. Há uma nuvem cobrindo a distância do seu princípio até nossos dias. Nesta caminhada lenta da humanidade ganhastes muitas formas e fostes batizados com inúmeros nomes: no Jardim do Éden, eras uma serpente que introduziu o primeiro pecado no seio da humanidade; eras o agente mas não o mal, pois o livre arbítrio nos dá o direito de optar. De Adão e Eva proliferou a humanidade e, com ela, os seus deuses, seu medo e sua curiosidade.
Ah! meu irmão de longa caminhada...
Para Moysés você foi a bengala que apoiava o corpo nas fatídicas andanças mas, se necessário, você seria também a assustadora serpente. Para os fenícios, você foi Molock, espírito tenebroso, cujo interior era uma fornalha ardente onde os seus seguidores depositavam suas oferendas; para a Pérsia de Zoroastro, atendias pelo nome de Arimânio, espírito angustiado e vingador!...para o egípcio, você era Duet, uma guardião que castigava, que punia para, depois de punido, ser entregue para o Deus da Luz e Serenidade; você era a ligação entre o homem e a mente, a morada de Osíris que é o Deus do amor e da criação. No Egito, você também era Tifon ou Aprites; a China milenar te deu o nome de Digin; Ravana para o hindu; os escandinavos de chamavam Azalock. Em cada povo uma personalidade e uma vibração diferente. Para o nosso índio brasileiro, você atendia por vários nomes e várias atuações: Cairé é um fantasma que aparece na lua cheia para punir os maus; Catiti é outro, só visível na lua nova e atrapalha a pesca. Jurupari é o mau espírito que traz pesadelo; Curuganga oficia como assombração.
Até então, você com múltiplas funções e personalidades, não era mais que uma energia, uma força. Até 1984 anos atrás, você era visto e sincretizado como guerreiro, como um homem. Para o mau artista, uma grotesca obra.
O hebreu te deu novas formas e, na pia batismal, recebestes os nomes: diabo, demônio, Lúcifer. Pelo pincel do pintor ou o formão do escultor, na metamorfose dos interesses de uma religião que amedronta e não esclarece, te fizeram um monstro... Como monstro, você defendia com maior eficácia os interesses econômicos de seu criador. Causa-nos revolta vê-lo assim desfigurado!
A infâmia e o mau gosto do artista que te fez um agregado de homem e animal, com longos cornos e pés caprinos, é uma afronta ao próprio Criador!
Ah! meu amigo... A tua imagem hoje, nada mais é que o reflexo, a exteriorização de consciências mal forjadas.
São dois mil anos que o padre vem te projetando, programando o subconsciente da pobre humanidade. Ele afirmou que exu era o diabo e assim se propagou, assim ficou... Nós só conhecíamos o catolicismo como religião dominante. O padre era sábio, o doutor, o mentor enfim... e ficaria assim se ao lado da religião não existisse a história.
O diabo é um rival de Deus, um anjo re bel de, Satanás e falsário que tentou Eva e perdeu Adão. Tentou Caim e promoveu o assassinato de A bel ; tentou Jesus, no monte e levou Judas à traição, Jesus não cedeu à sua tentação, prova eloqüente do direito de optar; respeito sagrado ao livre arbítrio do homem.
Forçam-nos a pensar que você é o executor porém, não é a causa nem efeito; é sim um elemento, uma vibração, que serve de acordo com a vontade do pedinte ou a licença do patrão. Será isso ou não?... Sabemos que o índio e o negro não conheciam um rival de Deus. Não há um concorrente das Leis Divinas!... um diabo, um Satanás... há sim, uma corte de seres inferiores que, por isso mesmo, estão a serviço de seres superiores, aos quais obedecem e servem sem contestar.
Na magia do negro, Exu é um Deva, um Orixá... é um mensageiro, o guarda, o policial, o moço de recado que vive na rua, orientando, servindo de intermediário entre o Orixá e o homem.
Entendemos que o diabo nos ludibriou!...
O negro não sabia que era o diabo, sabê-lo-ia o bugre dispondo de uma mitologia inferior?... Não tinham uma noção semelhante. O bugre conhecia o Caissoré, Curupira, Curuganga, Anhangá, entidades que se tornam pesadelos, que dão maus sonhos e que estorvam a pesca e a caça, contudo, o homem pode amansá-los, dando-lhes pequenas oferendas. Quem ameaçaria o diabo?... Este pretenso rei será tão porco, tão mesquinho que se venda por alguns bicos de vela? Será isso um rival de Deus?... Um diabo, um Satanás?...
O bugre e o negro não conheciam esta figura hebraica, pregada e propagada aos quatro cantos do mundo pelos padres e seus discípulos.
O negro não servia a interesses financeiros; perante Deus não existe rival. ELE é a Criação, o Princípio e o Fim! Para cada elemento ELE criou uma força dominante, um encarregado, um guardião, um Orixá que rege o plano Cósmico mas, criou também, o intermediário, o EXU, o Deva, o Orixá Menor, que atua em harmonia com seu gerente ou seja, o Orixá.
Lá no alto está a Energia Cósmica, Oxalá, Iemanjá, Ogum, Oxóssi e outros; no plano intermediário, Exu-Tameta, Exu da Rua, Exu-Odé, da encruzilhada, Exu-Adé, do chão, Exu-Ibanan, dos montes, Exu-Itatá, das pedras, Exu-Ibê, do terreiro, Exu-Gelu, das estradas longas, Exu-Baru, do escuro, Exu-Bara, este, puramente africano.
Senhores, a minha dissertação talvez não seja erudita... tão inteligente... porém, é honesta e eu afirmo: aquele grupo de demônios avermelhados, guampudos, com pés caprinos e barbas em pontas, olhos saltados, dentre agressivos... não é EXÚ!
Aquilo é uma concepção primária, falsa, mórbida, velhaca, indecente, ridícula!... É uma agressão à nossa inteligência; uma infâmia, um disparate, uma ofensa ao Divino Criador! Não podemos aceitar essa assimilação!
Este demônio hebreu não é o Plutão do grego, não é o Tifon do egípcio, não é o Arimam do babilônio, não é o Digin do chinês, não é o Ravana do hindu, não é o Bará do negro, não é o Caissoré do bugre.
Este demônio bestificado não faz parte deste Panteon!
Por Deus, não é nada disso!...só pode ser fruto do interesse econômico de escritores mal informados, sem decência ou respeito pelo belo.
Aqui dou meus aplausos àqueles escritores que tiveram a honradez de procurar um novo sincretismo, tentando introduzir uma imagem condizente com o altruístico trabalho desses incansáveis irmãos EXÚS.
A historia da umbanda
História da Umbanda - Caboclo das Sete Encruzilhadas
Zélio de Moraes, de viva voz (clique e ouça), nos conta a história da criação da Umbanda no Brasil.
Pesquisa: Lucilia Guimarães e Eder Longas Garcia
Veja fotos da visita a Tenda Nossa Senhora da Piedade
Escrever sobre Umbanda sem citarmos Zélio Fernandino de Moraes é praticamente impossível. Ele, assim como Allan Kardec, foram os intermediários escolhidos pelos espíritos para divulgar a religião aos homens. Zélio Fernandino de Moraes nasceu no dia 10 de abril de 1891, no distrito de Neves, município de São Gonçalo - Rio de Janeiro. Aos dezessete anos, quando estava se preparando para servir as Forças Armadas através da Marinha, aconteceu um fato curioso: começou a falar em tom manso e com um sotaque diferente da sua região, parecendo um senhor com bastante idade.
A princípio, a família achou que houvesse algum distúrbio mental e o encaminhou ao seu tio, Dr. Epaminondas de Moraes, Diretor do Hospício de Vargem. Após alguns dias de observação e não encontrando os seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu à família que o encaminhassem a um padre para que fosse feito um ritual de exorcismo, pois desconfiava que seu sobrinho estivesse possuído pelo demônio. Procuraram, então, também um padre da família que após fazer ritual de exorcismo não conseguiu nenhum resultado.
Tempos depois Zélio foi acometido por uma estranha paralisia, para o qual os médicos não conseguiram encontrar a cura. Passado algum tempo, num ato surpreendente Zélio ergueu-se do seu leito e declarou: "Amanhã estarei curado". No dia seguinte começou a andar como se nada tivesse acontecido. Nenhum médico soube explicar como se deu a sua recuperação. Sua mãe, D. Leonor de Moraes, levou Zélio a uma curandeira chamada D. Cândida, figura conhecida na região onde morava e que incorporava o espírito de um preto velho chamado Tio Antônio.
Tio Antônio recebeu o rapaz e fazendo as suas rezas lhe disse que possuía o fenômeno da mediunidade e deveria trabalhar com a caridade. O Pai de Zélio de Moraes, Sr. Joaquim Fernandino Costa, apesar de não freqüentar nenhum centro espírita , já era um adepto do espiritismo, praticante do hábito da leitura de literatura espírita . No dia 15 de novembro de 1908, por sugestão de um amigo de seu pai, Zélio foi levado a Federação Espírita de Niterói. Chegando na Federação e convidados por José de Souza, dirigente daquela Instituição, sentaram-se à mesa. Logo em seguida, contrariando as normas do culto realizado, Zélio levantou-se e disse que ali faltava uma flor. Foi até o jardim apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa onde realizava-se o trabalho.
Tendo-se iniciado uma estranha confusão no local, ele incorporou um espírito e simultaneamente diversos médiuns presentes apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos. Advertidos pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada no rapaz perguntou:
" Por que repelem a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Seria por causa de suas origens sociais e da cor?"
Após um vidente ver a luz que o espírito irradiava perguntou:
" Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome meu irmão?"
Ele responde:
Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim."
O vidente ainda pergunta:
" Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?"
Novamente ele responde;
Colocarei uma condessa em cada colina que atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei."
Depois de algum tempo todos ficaram sabendo que o jesuíta que o médium verificou pelos resquícios de sua veste no espírito, em sua última encarnação foi o Padre Gabriel Malagrida.
No dia 16 de novembro de 1908, na rua Floriano Peixoto, 30 · Neves · São Gonçalo · RJ, aproximando-se das 20:00 horas, estavam presentes os membros da Federação Espírita , parentes, amigos e vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos. Pontualmente às 20:00 horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas desceu e usando as seguintes palavras iniciou o culto:
Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo".
Após estabelecer as normas que seriam utilizadas no culto e com sessões diárias das 20:00 às 22:00 horas, determinou que os participantes deveriam estar vestidos de branco e o atendimento a todos seria gratuito. Disse também que estava nascendo uma nova religião e que chamaria Umbanda. O grupo que acabara de ser fundado recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse as seguintes palavras:
Assim como Maria acolhe em seus braços o filho, a tenda acolherá aos que a ela recorrerem as horas de aflição; todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai".
Ainda respondeu perguntas de sacerdotes que ali se encontravam em latim e alemão. Caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que havia neste local, praticando suas curas. Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras: "- Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá". Após insistência dos presentes fala:
Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nêgo".
Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:
Minha caximba, nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque buscá".
Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de"Guia de Pai Antonio".
No outro dia formou-se verdadeira romaria em frente a casa da família Moraes. Cegos, paralíticos e médiuns que eram dado como loucos foram curados. A partir destes fatos fundou-se a Corrente Astral de Umbanda. Após algum tempo manifestou-se um espírito com o nome de Orixá Malé, este responsável por desmanchar trabalhos de baixa magia, espírito que, quando em demanda era agitado e sábio destruindo as energias maléficas dos que lhe procuravam.
Dez anos depois, em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, recebendo ordens do astral, fundou sete tendas para a propagação da Umbanda, sendo elas as seguintes:
Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia
Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição
Tenda Espírita Santa Bárbara
Tenda Espírita São Pedro
Tenda Espírita Oxalá
Tenda Espírita São Jorge
Tenda Espírita São Jerônimo
As sete linhas que foram ditadas para a formação da Umbanda são: Oxalá, Iemanjá, Ogum, Iansã, Xangô, Oxossi e Exu. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das acima mencionadas. Zélio nunca usou como profissão a mediunidade, sempre trabalhou para sustentar sua família e muitas vezes manter os templos que o Caboclo fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitar a ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele. O ritual sempre foi simples.
Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje. As guias usadas eram apenas as determinadas pelas entidades que se manifestavam. A preparação dos médiuns era feita através de banhos de ervas e do ritual do amaci, isto é, a lavagem de cabeça onde os filhos de Umbanda fazem a ligação com a vibração dos seus guias.
Após 55 anos de atividade, entregou a direção dos trabalhos da Tenda Nossa Senhora da Piedade a suas filhas Zélia e Zilméia, as quais até hoje os dirigem.
Mais tarde, junto com sua esposa Maria Isabel de Moraes, médium ativa da Tenda e aparelho do Caboclo Roxo, fundaram a Cabana de Pai Antonio no distrito de Boca do Mato, Cachoeira do Macacú·RJ. Eles dirigiram os trabalhos enquanto a saúde de Zélio permitiu. Faleceu aos 84 anos, no dia 03 de outubro de 1975.
Dia 16 de setembro de 2010, faleceu Dona Zilméia de Moraes, a única dos quatro filhos de Zélio de Moraes, fundador da Umbanda, que ainda estava encarnada. Fica mais órfã a Umbanda a partir de agora. Deixamos aqui nossa homenagem a essa querida e doce mãe de santo. Saravá!
Zélio de Moraes, de viva voz (clique e ouça), nos conta a história da criação da Umbanda no Brasil.
Pesquisa: Lucilia Guimarães e Eder Longas Garcia
Veja fotos da visita a Tenda Nossa Senhora da Piedade
Escrever sobre Umbanda sem citarmos Zélio Fernandino de Moraes é praticamente impossível. Ele, assim como Allan Kardec, foram os intermediários escolhidos pelos espíritos para divulgar a religião aos homens. Zélio Fernandino de Moraes nasceu no dia 10 de abril de 1891, no distrito de Neves, município de São Gonçalo - Rio de Janeiro. Aos dezessete anos, quando estava se preparando para servir as Forças Armadas através da Marinha, aconteceu um fato curioso: começou a falar em tom manso e com um sotaque diferente da sua região, parecendo um senhor com bastante idade.
A princípio, a família achou que houvesse algum distúrbio mental e o encaminhou ao seu tio, Dr. Epaminondas de Moraes, Diretor do Hospício de Vargem. Após alguns dias de observação e não encontrando os seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu à família que o encaminhassem a um padre para que fosse feito um ritual de exorcismo, pois desconfiava que seu sobrinho estivesse possuído pelo demônio. Procuraram, então, também um padre da família que após fazer ritual de exorcismo não conseguiu nenhum resultado.
Tempos depois Zélio foi acometido por uma estranha paralisia, para o qual os médicos não conseguiram encontrar a cura. Passado algum tempo, num ato surpreendente Zélio ergueu-se do seu leito e declarou: "Amanhã estarei curado". No dia seguinte começou a andar como se nada tivesse acontecido. Nenhum médico soube explicar como se deu a sua recuperação. Sua mãe, D. Leonor de Moraes, levou Zélio a uma curandeira chamada D. Cândida, figura conhecida na região onde morava e que incorporava o espírito de um preto velho chamado Tio Antônio.
Tio Antônio recebeu o rapaz e fazendo as suas rezas lhe disse que possuía o fenômeno da mediunidade e deveria trabalhar com a caridade. O Pai de Zélio de Moraes, Sr. Joaquim Fernandino Costa, apesar de não freqüentar nenhum centro espírita , já era um adepto do espiritismo, praticante do hábito da leitura de literatura espírita . No dia 15 de novembro de 1908, por sugestão de um amigo de seu pai, Zélio foi levado a Federação Espírita de Niterói. Chegando na Federação e convidados por José de Souza, dirigente daquela Instituição, sentaram-se à mesa. Logo em seguida, contrariando as normas do culto realizado, Zélio levantou-se e disse que ali faltava uma flor. Foi até o jardim apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa onde realizava-se o trabalho.
Tendo-se iniciado uma estranha confusão no local, ele incorporou um espírito e simultaneamente diversos médiuns presentes apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos. Advertidos pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada no rapaz perguntou:
" Por que repelem a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Seria por causa de suas origens sociais e da cor?"
Após um vidente ver a luz que o espírito irradiava perguntou:
" Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome meu irmão?"
Ele responde:
Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim."
O vidente ainda pergunta:
" Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?"
Novamente ele responde;
Colocarei uma condessa em cada colina que atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei."
Depois de algum tempo todos ficaram sabendo que o jesuíta que o médium verificou pelos resquícios de sua veste no espírito, em sua última encarnação foi o Padre Gabriel Malagrida.
No dia 16 de novembro de 1908, na rua Floriano Peixoto, 30 · Neves · São Gonçalo · RJ, aproximando-se das 20:00 horas, estavam presentes os membros da Federação Espírita , parentes, amigos e vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos. Pontualmente às 20:00 horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas desceu e usando as seguintes palavras iniciou o culto:
Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo".
Após estabelecer as normas que seriam utilizadas no culto e com sessões diárias das 20:00 às 22:00 horas, determinou que os participantes deveriam estar vestidos de branco e o atendimento a todos seria gratuito. Disse também que estava nascendo uma nova religião e que chamaria Umbanda. O grupo que acabara de ser fundado recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse as seguintes palavras:
Assim como Maria acolhe em seus braços o filho, a tenda acolherá aos que a ela recorrerem as horas de aflição; todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai".
Ainda respondeu perguntas de sacerdotes que ali se encontravam em latim e alemão. Caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que havia neste local, praticando suas curas. Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras: "- Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá". Após insistência dos presentes fala:
Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nêgo".
Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:
Minha caximba, nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque buscá".
Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de"Guia de Pai Antonio".
No outro dia formou-se verdadeira romaria em frente a casa da família Moraes. Cegos, paralíticos e médiuns que eram dado como loucos foram curados. A partir destes fatos fundou-se a Corrente Astral de Umbanda. Após algum tempo manifestou-se um espírito com o nome de Orixá Malé, este responsável por desmanchar trabalhos de baixa magia, espírito que, quando em demanda era agitado e sábio destruindo as energias maléficas dos que lhe procuravam.
Dez anos depois, em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, recebendo ordens do astral, fundou sete tendas para a propagação da Umbanda, sendo elas as seguintes:
Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia
Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição
Tenda Espírita Santa Bárbara
Tenda Espírita São Pedro
Tenda Espírita Oxalá
Tenda Espírita São Jorge
Tenda Espírita São Jerônimo
As sete linhas que foram ditadas para a formação da Umbanda são: Oxalá, Iemanjá, Ogum, Iansã, Xangô, Oxossi e Exu. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das acima mencionadas. Zélio nunca usou como profissão a mediunidade, sempre trabalhou para sustentar sua família e muitas vezes manter os templos que o Caboclo fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitar a ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele. O ritual sempre foi simples.
Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje. As guias usadas eram apenas as determinadas pelas entidades que se manifestavam. A preparação dos médiuns era feita através de banhos de ervas e do ritual do amaci, isto é, a lavagem de cabeça onde os filhos de Umbanda fazem a ligação com a vibração dos seus guias.
Após 55 anos de atividade, entregou a direção dos trabalhos da Tenda Nossa Senhora da Piedade a suas filhas Zélia e Zilméia, as quais até hoje os dirigem.
Mais tarde, junto com sua esposa Maria Isabel de Moraes, médium ativa da Tenda e aparelho do Caboclo Roxo, fundaram a Cabana de Pai Antonio no distrito de Boca do Mato, Cachoeira do Macacú·RJ. Eles dirigiram os trabalhos enquanto a saúde de Zélio permitiu. Faleceu aos 84 anos, no dia 03 de outubro de 1975.
Dia 16 de setembro de 2010, faleceu Dona Zilméia de Moraes, a única dos quatro filhos de Zélio de Moraes, fundador da Umbanda, que ainda estava encarnada. Fica mais órfã a Umbanda a partir de agora. Deixamos aqui nossa homenagem a essa querida e doce mãe de santo. Saravá!
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